16 julho 2018
Minha incrível e fofa mochila de cachorrinhos da Ella Store
   O post de hoje é bem diferente do que eu costumo escrever por aqui. Recebi uma mochila linda da loja online Ella Store e vim contar pra vocês sobre ela. Tá, você deve estar pensando que é só mais um post patrocinado ou de parceria. Gente, GENTE, eu vim aqui falar minha opinião séria sobre a loja porque acho que vocês deveriam conhecer os produtos vendidos lá!

   Minha mochila é da minha cor favorita de todos os tempos. Esse verde/azul água que ninguém nunca consegue dizer exatamente o que é. É muito raro encontrar bolsas e mochilas dessa cor, então assim que vi fiquei mais que louca pra ter e sair por aí toda trabalhada na minha cor e nos cachorrinhos fofos. 



SOBRE A MOCHILA


   Ela chegou bem embalada e organizada, sabe aquele pacote que a gente fica com pena de abrir? Exatamente. O material é bem grosso e resistente e todos os zíperes também são bem firmes sabe? Daqueles que você sabe que não vai ficar quebrando e te estressando depois. Pra não dizer que estou falando por cima, usei a mochila em diferentes ocasiões com diferentes pesos. Primeiro levei alguns livros pra casa e logo vi que ela fica bem nas costas e não machuca. O material, por ser grosso, também ajuda muito pra deixar ela ainda mais bonita nas costas. Na segunda vez, fui hardcore e coloquei bastante peso. Fui arriscar mesmo, sem saber se ela aguentaria. Não é que a bendita aguentou e ainda por cima não me cansou? 


   Além disso, claro, várias pessoas vieram me perguntar onde comprei minha bolsa. Ah, me diz se é fácil encontrar mochilas fofinhas por aí? 

  Ficou interessado? Achou legal e quer ver outros modelos? Esse modelo tá em promoção agorinha, por R$ 39.90. Apenas isso! 



SOBRE A ELLA STORE


   A Ella Store é uma loja online de bolsas e mochilas femininas. Iniciamos nossos trabalhos em 2011 na internet mesmo, tentamos buscar sempre as novidades e os melhores preços de bolsas e mochilas no mercado, todos os produtos da loja atendem ao publico feminino, algumas opções unisex como mochilas executivas. Com mais de 1000 modelos de bolsas disponível para envio imediato, entregas em até 2 dias* nossa loja se tornou conhecida como A LOJA DE BOLSA DA INTERNET e é o que estamos tentando nos aperfeiçoar e cada vez mais oferecer um melhor atendimento e produto a vocês.

  Realmente gostei muito da minha mochila. Tanto que deixo ela encostada no móvel do meu quarto beeeem decoração dele. Nesse próximo semestre, vou sair pelo campus da faculdade amando minha mochila sim, senhores.
 
14 julho 2018
RESENHA: O Milagre da Manhã - Hal Elrod
O Milagre da Manhã
Hal Elrod
Editora: BestBolso
Ano: 2016
Páginas: 196
Classificação etária: Livre
Sinopse: Conheça o método simples e eficaz que vai proporcionar a vida dos sonhos — antes das 8 horas da manhã! Hal Elrod explica os benefícios de acordar cedo e desenvolver todo o nosso potencial e as nossas habilidades. O milagre da manhã permite que o leitor alcance níveis de sucesso jamais imaginados, tanto na vida pessoal quanto profissional. A mudança de hábitos e a nova rotina matinal proposta por Hal vai proporcionar melhorias significativas na saúde, na felicidade, nos relacionamentos, nas finanças, na espiritualidade ou quaisquer outras áreas que necessitem ser aprimoradas.


   Ultimamente venho sentindo que meus dias não são tão proveitosos quanto eram no passado. A faculdade vem consumindo meus ossos e lidar com ela, blog e leituras passou a ser mais difícil do que eu jamais tinha pensado. Vi um vídeo da Pam Gonçalves sobre como a vida dela mudou depois de ler esse livro, que eu nunca tinha ouvido falar. Dia desses resolvi começar e só parei depois de ler tudinho. 

"Meu passado não é igual ao meu futuro"

   Hal Elrod sempre foi um homem de sucesso. Batalhava e focava em seus objetivos e assim conseguia realizar seus sonhos e metas. Depois de um acidente quase fatal e a crise econômica americana, ele passou a ter dificuldades em ter sucesso no que fazia e a depressão despontava. Ele começou a tentar o próprio método chamado O Milagre da Manhã, aplicando uma hora de sua manhã para desenvolvimento pessoal. 

   Eu já sabia que todo o seu humor diário e vontade de ter um dia bom começa do jeito que você acorda e bem, eu quase não acordo todos os dias de tanto sono e preguiça. Hal usa exemplos próprios e de milhares de pessoas que se juntaram e resolveram acordar 1 hora mais cedo todos os dias e dedicar esse tempo a si mesmas para se autodescobrirem e começarem o dia com foco em seus objetivos. 

"Não há nada a temer, pois você não pode fracassar - apenas aprender, crescer e tornar-se melhor do  que jamais foi."

  Ainda não testei o método e depois dessas férias com certeza vou começar o teste de 30 dias do Milagre da Manhã, aos poucos, e vendo o que muda na minha disposição diária. O livro é curto, simples e te dá vontade de dar um pulo da cama e começar a traçar seus objetivos. Ele também tira esse mito de que autoajuda é para fracassados e sim para pessoas que querem se desenvolver em  alguma área, tirando conhecimento de quem já passou pelo que você passa. Hal Elrod me inspirou a tentar mudar como o meu dia começa e assim ver as consequências positivas disso na minha vida. Podem ter certeza que assim que eu começar faço um post aqui no blog. Melhorando ou não, vou expor por aqui porque, assim como Hal repete no livro, não adianta reclamar que não se sente motivado se você não tenta mudar seus hábitos diários que interferem na sua motivação. 

"Se você está cercado de pessoas preguiçosas, de mente fraca e que só dão desculpas, inevitavelmente, se tornará como elas."
"Pessoas extraordinárias visualizam não o que é possível ou provável, mas sim o que é impossível. E visualizando o impossível elas começam a vê-lo como possível." 
09 julho 2018
RESENHA: Aos Dezessete Anos - Ava Dellaira
Aos Dezessete Anos
Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Ano: 2018
Páginas: 448
Classificação indicativa*: +14 anos
Sinopse: Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num caidente de carro antes de ela nascer. Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma.
*exemplar cedido em parceria com a Companhia das Letras 
 

   Ler esse livro foi como um choque de realidade. Uma fusão entre sonhos e desencantos. Visões de mãe e filha, ambas com 17 anos quando descobriram que a vida não é como parece ser. Aos Dezessete Anos me inspirou e me fez olhar para a nossa realidade de outra forma. Que livrão, meus amores!

"O curioso na beleza é que de modo algum nega a existência de sofrimento, injustiça, dor. Ela se mantém firme por direito próprio, como sua própria verdade."

   Nesse livro, o narrador conta a história de Marilyn e Angie, mãe e filha, que conheceram o amor de formas inusitadas. Marilyn, aos 17 anos, amava fotografar, mas era modelo de comerciais, o sonho de sua mãe, quando conhece James Bell, seu vizinho. Logo eles se aproximam e se apaixonam. 17 anos depois, a filha de Marilyn, Angie, se questiona sobre onde estaria seu pai. Teria ele morrido em um acidente de carro como a mãe contou? Ela pega a estrada com seu ex namorado para descobrir o paradeiro de sua família, enquanto aprende que a vida não é fácil e nem muito menos o amor

   Tá, sei que ele tem super cara de Young Adult e até é um mesmo, mas eu sinceramente achei mais com cara de drama. As duas personagens principais são cativantes e eu sinceramente não sei qual eu gostei mais. Uma ama fotografia e fala bastante desse futuro, enquanto outra se sente deslocada do mundo. É um livro que mistura passado e presente com duas gerações diferentes, na mesma idade.

"Sempre penso que fotografar é como agarrar uma imagem das mãos do tempo, antes que seja perdida. Uma foto pode ser guardada, compartilhada, presenteada. Pode se renovar aos olhos de cada um que a vê."

   Além de ter um conteúdo meio clichê, o livro aborda muito o racismo. Angie é negra e foi frequentemente vítima do racismo, até mesmo quando sua mãe a levava para escola e perguntavam se ela era adotada, por Marilyn ser branca. E é aí que a jornada de Angie começa, ela quer voltar a cidade onde sua mãe conheceu seu pai e poder ver esse lado afro-americano que ela nunca teve contato, mesmo fazendo parte de sua identidade. 

   Ava Dellaira me encantou muito na forma de escrita. Já quero ler o outro livro dela bem babado (Carta de Amor Aos Mortos). Aos Dezessete Anos é um livro com conteúdo pesado, mas ela fez que ele se tornasse fácil para adolescentes entenderem também. Ele fala de duas mulheres com dois amores e sonhos que foram ou serão realizados apenas se o passado for revisitado e, assim, superado. Angie fez uma autodescoberta sobre si mesma e me fez tentar me entender também. 

"Quantas das sete bilhões de pessoas no mundo têm dezessete anos? Quantas estão grávidas, quantas ainda se sentem crianças? Quantas estão olhando para o mesmo sol? Quantas estão boiando no mar? Quantas estão lamentando o amor perdido, quantas estão se apaixonando pela primeira vez?"

Palavras-chave do livro: 


Inspiração - Autoconhecimento - Jornada - Família - Ancestrais - Sonhos - Futuro - Fotografia

*violência, conteúdo sexual


07 julho 2018
RESENHA: A Hora da Estrela - Clarice Lispector
A Hora da Estrela 
Clarice Lispector
Editora: Rocco
Ano: 1977 (edição de 2008)
Páginas: 88
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano.
 

  Demorei um pouco no meu projeto de ler livros da Literatura Brasileira, mas aqui estou eu, cumprindo minha promessa e desejo. Não sei o que me fez escolher A Hora da Estrela como primeiro livro e Clarice Lispector como primeira autora, acho que por ter visto colegas de classe fazendo um curta do livro. Fico extremamente feliz de ter começado e de ter tido a oportunidade de conhecer minha quase xará Clarice, mas não sei se foi o livro certo para começar.

"Ah que medo de começar e ainda nem sequer sei o nome da moça. Sem falar que a história me desespera por ser simples demais. O que me proponho a contar parece fácil e à mão de todos. Mas a sua elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que está quase apagado e que mal vejo. Com mãos de dedos duros enlameados apalpar o invisível na própria lama."

  Em A Hora da Estrela, conhecemos dois personagens principais, cada um em um universo literário diferente. O narrador-escritor, que escreve e narra a história de Macabéa, e a própria, uma nordestina que vai morar no Rio de Janeiro, mas é bem ignorante sobre o mundo e passa por umas situações bem loucas.

  Gosto é gosto, mas clássico é clássico? Acho que não. A Hora da Estrela foi o último livro escrito pela ilustre Clarice Lispector, um dos maiores nomes da Literatura Brasileira. O que você diria para alguém que não gostou do livro? Se for algo como insulto, nem diga. Eu gostei de A Hora da Estrela, sim. Me vi em Macabéa em muitos momentos, entendi o que Clarice, por meio do escritor Rodrigo S. M., quis ilustrar.

  Macabéa é desastrada, confusa e uma menina bem azeda. Não teve estudos, mas sabe datilografar. Não consegue ver nada além de seu próprio presente, em que ela vive um dia após o outro sem nem prestar atenção em nada. Às vezes não toma banho, gosta de ouvir propagandas no rádio, não come direito, deseja comer hidratante facial por ele parecer bonito nas propagandas dos jornais. Macabéa é meio esquisita, mas é muito normal ao mesmo tempo.

"A pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para os outros na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham."

  No tempo presente do livro, o narrador-escritor fala como é difícil escrever sobre Macabéa e escrever algo no geral. Achei incrível esse lado de mostrar como é difícil dar vida à um personagem. É louco pensar que Clarice penou pra escreveu uma história sobre um escritor que penou pra escrever uma história sobre Macabéa. Bato palmas pela originalidade! Não bato palmas para a chatice que esse narrador falava. Gente, a história de Macabéa, seus amores e ilusões, seu súbito interesse em um futuro brilhante e até o final da história, tudo me encantou. Menos a narrativa.

  Demorei muito pra terminar A Hora da Estrela. Não por Macabéa. Não por Clarice. Mas se tornou chato ler a narração mórbida, sem graça e parada do Rodrigo S. M. que era certamente um escritor angustiado até com o próprio amor pela escrita. Talvez eu tenha começado pelo livro errado, mas não desistirei de Clarice.

"Pois a vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende. Só que ela não sabia qual era o botão de acender."
03 julho 2018
RESENHA: Sorte Grande - Jennifer E. Smith
Sorte Grande
Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Classificação etária: +14 anos
Sinopse: Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?
 
*exemplar cedido em parceria com a editora Galera Record

   Já pensou o que você faria se ganhasse na loteria? Aposto que já. Viagens, carros, casas e muito dinheiro. Agora, já parou pra pensar no quanto sua vida mudaria e as pessoas ao seu redor também? A proposta desse livro é tão gostosa, mas ao mesmo tempo me pegou de surpresa. É viciante, curto (mesmo o livro sendo grossinho) e bem young adult. 

"Você escolhe uma coisa, e sua vida segue de um jeito.
Você escolhe outra , e tudo sai completamente diferente."

   Alice e Teddy são melhores amigos desde que ela foi adotada pelos pais de seu primo, Leo, que era amigo de Teddy. Ela se considera uma pessoa mais que azarada, já que perdeu os dois pais e o número 13 sempre esteve muito relacionado a isto. É no aniversário de Teddy de 18 anos que Alice resolve o presenteá-lo com um bilhete de loteria, de brincadeira, para simbolizar a maioridade. E não é que Teddy acaba levando o prêmio? Agora Alice tem que lidar com seus sentimentos por ele e, ao mesmo tempo, o que seu melhor amigo se tornou. 

   É um drama bem real sobre primeiros amores, juventude e sorte. Alice é uma protagonista muito fofa, que mesmo com um passado traumático, tenta seguir sua vida e esquecer o crush. Mas como esquecê-lo quando ele é seu melhor amigo, ganhou na loteria com um bilhete que ela comprou e ainda a beijou? 


   Gostei demais da proposta que o livro trouxe de riqueza rápida e o quanto o dinheiro pode nos transformar e também as pessoas próximas da gente. O livro pode ser viciante, mas as mais de 400 páginas são recheadas de eventos bem inusitados na vida do nosso "casal" protagonista, nas suas aventuras de jovens adultos. Amizades, amor, viagens, escolhas de faculdade e dinheiro. O que mais falar de Sorte Grande?

"Passei muitos anos tentando fazer a coisa certa pelos motivos errados. Agora quero fazer a coisa certa por mim."

    Acabei a leitura com meu coração aquecido, como ele fica sempre que leio algum livro que me deixa pensativa. O livro carrega um conteúdo também sobre voluntariado e adoção, que deixou tudo mais entrelaçado. Não consigo apontar algo negativo dessa obra linda, tirando o fato de a protagonista, mesmo sendo maravilhosa, parecer repetir o mesmo discurso o livro todinho, enquanto julga e julga o nosso recém bilionário ganhador da loteria. Acho que falta se colocar no lugar do amiguinho, Alice. Sorte Grande é pra você que quer uma leitura simples e bem cara de drama adolescente com uma pitada de comédia e assuntos sérios bem comentados.


01 julho 2018
RESENHA: O Sol na Cabeça - Geovani Martins
O Sol na Cabeça
Geovani Martins
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018
Páginas: 122
Classificação etária*: +16 anos
Sinopse: Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI. Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais. Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.
[Exemplar cedido em parceria com a editora]
 

  O que dizer desse livro que engoli tão rapidamente e quis tanto falar aqui pra vocês sobre ele? Li O Sol na Cabeça faz umas semanas e só agora consegui escrever pra vocês. Se não notaram, ando meio sumida das redes sociais e do blog por causa da faculdade que quase me assassina, mas o semestre acabou e isso significa que estou de volta. Vamos lá falar desse livro divino?

"Eu nunca cherei. Lembro de quando meu irmão chegou do trabalho boladão, me chamou pra queimar um com ele nos acessos. Queria ter uma conversa de homem pra homem comigo, senti na hora. A bolação dele era que um amigo que cresceu com ele tinha morrido do nada. Overdose. Tava pancadão na bike, se pá até indo de missão comprar mais, quando caiu no chão. Já caiu duro. Overdose."

  Esse livro é um compilado de contos sobre a realidade brasileira. Aquela que você sabe que é real, mas está bem longe de saber o que realmente se passa nesse lado do país. Os treze contos vão de reais a reflexivos, com personagens cativantes e uns finais impactantes. 

  Como não é apenas uma história a ser contada, mas treze, e não quero fazer uma resenha gigante, vou contar no geral o que achei de O Sol na Cabeça. Confesso que desde que vi que seria lançado já coloquei na minha listinha, pois leria de certeza. Amo livros assim que, de certa forma, abrem nossos olhos para pontos de vista que são deixados de lado na contação da história do cotidiano brasileiro. Estudo sobre isso na faculdade e quero não só ler mais livros assim como também poder escrever sobre algo da mesma forma. 



"Nunca esquecerei da minha primeira perseguição. Tudo começou do jeito que eu mais detestava: quando eu, tão distraído, me assustava com o susto da pessoa e, quando via, era eu o motivo, a ameaça."

  Das treze narrativaszinhas do livro, minha favorita é o conto "O cego", que conta a história de um moço cego que precisa lidar com a falta de oportunidades na nossa sociedade, ele acaba tendo que contar sua história nas ruas para as pessoas e decide tomar uma decisão em relação à isso. O conto me aproximou demais das pessoas que vemos todos os dias nas ruas que nos param para contar suas dificuldades e pedir uma ajuda. Depois da leitura desse conto, comecei a parar de verdade para falar com cada um deles e ajudar como posso. É muito fácil julgar essas pessoas e assumir que elas usam esse dinheiro para alimentar um vício, mas você tirou um tempo para ler ou ouvir o ponto de vista do lado de lá? Para mim, esse é o objetivo de todos esse contos. 

  Gostei mais de um que de outros e confesso que deixei os de drogas para ler no final, todos juntos e um atrás do outro. Achei essa forma melhor para mim, mas ler na ordem também causa o mesmo impacto que ler aleatoriamente, juro. Acho bom e esse lado dos livros de contos, se você não se sente pronto para ler sobre certo assunto agora, lê outros e depois vê se dá pra voltar pra esse! O Sol na Cabeça é real, puro e sobre um lado do Brasil que precisa ser visto.


*linguagem imprópria, consumo de drogas

por aqui...

algumas parcerias e informações