Os vídeo-games em um 2045 distópico (Jogador Nº 1, Ernest Cline)

29 julho 2018
   Eu provavelmente não acreditaria se alguém me dissesse que eu viciaria tanto em Jogador N°1 a ponto de não conseguir ir dormir sem saber o final. A ficção científica barra distopia me conquistou tanto pela linguagem mais jovem, que foi impossível não me envolver e me perguntar como seria viver naquele mundo. Um 2045 em que as pessoas não precisassem mais do contato humano, pois no OASIS, você pode ser quem você quiser, e ir pra quantos mundos você quiser. Tudo anonimamente. Tudo com o óculos de realidade virtual. 

Jogador Nº 1
Ernest Cline
Editora: Leya
Ano: 2018
Páginas: 464
Classificação etária: +14 anos
Sinopse: O ano é 2044 e a Terra não é mais a mesma. Fome, guerras e desemprego empurraram a humanidade para um estado de apatia nunca antes visto. Wade Watts é mais um dos que escapa da desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao OASIS – uma utopia virtual global que permite aos usuários ser o que quiserem; um lugar onde se pode viver e se apaixonar em qualquer um dos mundos inspirados nos filmes, videogames e cultura pop dos anos 1980. Mas a possibilidade de existir em outra realidade não é o único atrativo do OASIS: o falecido James Halliday, bilionário e criador do jogo, escondeu em algum lugar desse imenso playground uma série de Easter Eggs, e premiará com sua enorme fortuna – e poder – aquele que conseguir desvendá-los. E Wade acabou de encontrar o primeiro.
*exemplar cedido em parceria com a editora Leya


   A proposta do livro é sim bem geek. Todo o universo da narrativa é baseado nos anos 80, muuuuito tempo antes de 2045, certo? Como eu, nascida no último ano dos anos 90, não sei nada sobre essas décadas, ficaria mais complicado entender as referências feitas a filmes, jogos, músicas e ao cotidiano dos adolescentes dos anos 80. Mas não. Tudo se encaixa perfeitamente.



   No ano de 2045, nessa distopia futurística, o mundo inteiro é movido a tecnologia. Não, os carros não voam. Não existe teletransporte. Bem, mais ou menos. James Halliday, o criador do sistema OASIS, que permite ao usuário completa imersão em um mundo virtual mil vezes mais incrível que o real, morre deixando um desafio. Quem encontrar o Easter Egg escondido pelo criador em algum lugar do universo virtual (com milhões de planetas), fica com sua herança toda. A caça aos ovos começa!

"Numa época de insurreição social e cultural, quando a maior parte da população do mundo desejava fugir da realidade, o OASIS oferecia isso de forma barata, legal, segura e não viciante (comprovado  cientificamente)."

   Achei que por não ser muito familizaridada com jogos de vídeo game, ficaria sem vontade ou sem entender. Pf, muito pelo contrário! Todas as referências à vídeo games me deixaram super envolvida e curiosa e ao contrário do que pensei, a leitura é viciante, fluida, bem gostosa e envolvente. O protagonista, Wade, é um simples estudante de ensino médio que sonha em ganhar a fortuna do Halliday, mas mais por ser reconhecido pelo grande trabalho de estudar a vida inteira do criador para encontrar o Easter Egg.

   Assim que a caça começa, milhões de desafios além dos que Halliday colocou no caminho dos caça ovos me deixaram louca. Ernest Cline foi simplesmente genial ao descrever um futuro tão longe, talvez bem longe da realidade também, mas completamente com sentido. Não duvidaria se em 2045 tivéssemos uma plataforma de realidade virtual que poderíamos viver uma vida. Um RPG quase real.



  O livro é meio grosso, dividido em três rounds, as três fases que Holliday criou para chegar ao desafio final. Todos eles envolvendo a cultura dos anos 80. Então, obviamente, a pessoa que ganhasse o concurso seria uma expert em todas as musicas, filmes, jogos e livros da década de 80. O próprio Wade me impressionou bastante com o foco em estudar e entender a vida antes de um futuro daquele jeito. Além de todo o dinheiro envolvido, e por causa disso, uma organização com más intenções em relação ao OASIS vai tentar vencer o concurso e tudo fica ainda mais suspense!

   O livro é uma baita lição, além de divertido e ser uma ficção científica/distopia. Imagina se, no futuro, a gente passa a querer viver no mundo virtual por medo do contato humano? Medo de viver em meio ao preconceito, mortes, fome, miséria. Imagina se você pudesse viver em um local idealizado colo perfeito, onde batalhas ocorreriam apenas em lugares específicos pra isso e nem todo mundo poderia participar. Será que seria tão maravilhoso assim? Jogador Nº 1 mostra uma realidade que idealizamos como louca e muito longe de concretizar, mas também nada (nem um pouco) perfeita. Me fez pensar na vida real real mesmo no futuro.


"Era o despertar de uma nova era, na qual a maioria da raça humana passava todo o tempo livre dentro de um videogame."

Palavras-chave do livro: futuro - tecnologia - videogames - distopia - ficção científica - anos 80 

Música que me lembra o livro:



4 comentários

  1. Li o livro a semana passada e simplesmente amei! Também não estava à espera de gostar, mas tornou-se num dos meus livros favoritos <3
    Beijinhos,
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  2. Oie, tudo bem?
    Eu não li o livro, assisti apenas ao filme. Não curti muito, infelizmente. :( Achei que focou demais na ação e de menos nos personagens.
    Entretanto, a reflexão é mesmo válida. Aquela realidade futurística é tão triste e desigual que somente online é possível ter alguma alegria, e isso é muito triste. Espero que nosso futuro não seja semelhante a isso.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  3. Eu estou doida para ler esse livro tem um tempo! Todo mundo diz que é muito envolvente e bem escrito. Os Delírios Literários de Lex

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  4. Oi Clarissa
    Eu não gosto desse tipo de livro, acho que é muita informação pra minha mente, tanto que também não quis assistir o filme, não me agrada. Mas todas as resenhas dele geralmente sã boas então imagino que a história seja sim bem estruturada.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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