Monty, Percy, Felicity e o aventuroso Grand Tour (O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude, Mackenzi Lee)

01 outubro 2018
   Tinha visto que esse era um lançamento da Galera Record e confesso que nem fiquei interessada de início. A sinopse parecia interessante, mas o título e a capa (mesmo sendo linda), não chamaram minha atenção. Foi aí que comecei a ver que muita gente estava falando desse livro e fiquei com uma pulguinha atrás da orelha, que me atormentou até a caixinha do VIB do Grupo Editorial Record chegar na minha casa. Foi pá, puft. Parece que a Galera previu meu desejo incubado e me fez ler esse livro magnífico!


O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude
Mackenzi Lee
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Páginas: 434
Gêneros: Aventura, Fantasia, Romance LGBT
Classificação etária: +16 anos
Sinopse: Henry "Monty" Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões - jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy - por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada umafesta hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.
*Exemplar cedido em parceria com o Grupo Editorial Record 
 

   Monty é um típico patife nos belos anos de 1700 e bolinhas. Sexo, álcool e muita azaração fazem parte de seus dias desde que foi expulso de Eton por ser flagrado com um menino. Monty se sente atraído por mulheres e homens, o que ele pode fazer? Seu pai resolve o enviar para o famoso Grand Tour pela Europa, já que na volta o menino teria consciência com a vida e assumiria os negócios da família. Monty vai à bordo de uma aventura no que era pra ser uma turnê de muita cultura e nada de azaração, junto com sua irmã, Felicity, que ficaria no caminho em uma escola de etiqueta, e seu melhor amigo Percy, antes que ele fosse enviado para uma universidade na Holanda. Esses últimos meses de liberdade de Monty viram um caos quando os três se metem em confusões atrás de confusões, descobrindo segredos e se aventurando nos mares atrás de um mistério. Tudo isso enquanto Monty tenta esquecer que seu melhor amigo e companheiro de viagem é o cara que mais ama.

"Minha bela e trágica história de amor com Percy não é nem bela nem uma verdadeira história de amor, e é trágica apenas pela unilateralidade"

   Que. Livro. Quando digo que não esperava muito dele quando ouvi falar pela primeira vez, falo séríssimo. Depois de ter lido metade de O Guia do Cavalheiro para o Vício e Virtude, tive duas conclusões: 1) esse título não faz sentido algum e 2) não é apenas um romance histórico gay, como aparenta. Esse livro contém uma alta carga de aventura. Dá pra se imaginar velejando com os irmãos e o maravilhoso Percy e tentando desvendar o mistério que dá vida ao livro. 



   Sério, que sacada da Mackenzi Lee! O livro tem uma escrita tão envolvente que as quase 500 páginas se tornaram pouco no que poderia ter rendido - pra sempre!. Ele é dividido por países e a jornada da trupe tentando descobrir os segredos do duque de Bourbon e de feitiçaria e alquimia. Para pra pensar que em 1700 e bolinhas, no século XVIII, muito do que a gente vê, por exemplo, nos romances de época da Julia Quinn sequer eram normais. Por exemplo, os Bridgertons se passa no final do século XIX e Monty e Percy estão um século antes disso.

"Ando tirando as capas daqueles romances e trocando o interior por livros de medicina há anos, para que papai não descubra. Ele preferiria que eu lesse aqueles livros degradantes de Eliza Haywood a estudar almanaques sobre cirurgia e anatomia."

   Sabia que seria interessante ler um romance gay do século XVIII, mas ao mesmo tempo sabia que seria restrito. O que sabiam sobre sexualidade naquela época? Por mais que na capa do livro deixe claro que é um romance gay, conto nos dedos os momentos de amor pela extrema proibição da homossexualidade ou bissexualidade antigamente. Além do tema LGBT, o livro ainda me fez amar a Felicity, minha fiel feminista que se recusa a aceitar que Monty ganhe uma turnê pela Europa por ser um homem e ela seja mandada para escola de etiqueta, como uma mulher deve fazer, quando na verdade é apaixonada pela medicina - profissão 100% masculina naquela época. Ah, quase esqueci de falar que ainda por cima, temos o Percy sendo da aristocracia, assim como Monty, porém negro, o que causou bastante treta no livro por ainda serem escravos naquela época! (Lembrando que a escravidão foi abolida no Brasil só um século depois!)



   E não para por aí. O mistério que envolve o livro é por causa de uma coisinha que acabamos descobrindo na metade do livro, envolvendo Monty e Percy, que se metem na enrascada em busca de soluções. Não posso falar muito sobre, mas tenho uma paixão por livros de época que explicam e mostram quão complicadas as coisas eram antes da tecnologia e da pesquisa na área da saúde. A autora deixa até sua explicação no fim do livro sobre muitos dos temas falados nos livros, assim como lembro que aconteceu com os livros da série Perdida, da Carina Rissi. 

   É sim como Com Amor, Simon, só que com aventuras, piratas, realeza, confusões, segredos e muita paixão platônica. Percy é um personagem que eu amo demais demaaais e sério, quero levar ele comigo em um potinho pra sempre. Felicity é uma mulherona que não se rebaixa a homem nenhum, orgulho danado dela. Enquanto o Monty é a prova de que pouco importa o que se fez no passado, o legal é seguir em frente e ser a melhor versão de você mesmo. 

"Talvez seja esse o objetivo do Grand Tour - me mostrar como outras pessoas vivem, vidas que não são a minha. É uma sensação estranha essa de perceber que outras pessoas que você não conhece têm vidas próprias e plenas que não se misturaram à sua."

8 comentários

  1. Oi Clarissa. Eu também não havia me interessado por esse livro quando vi o lançamento e admito que não acho a capa nada bonita e interessante, mas a tua resenha foi capaz de mudar o status de interesse em relação a esse livro e preciso conferir essa história por "n" motivos: adoro romances de época, nunca li um que se passe antes do século XIX, nunca li um romance de época gay, adoro romances com aventuras... etc... ou seja, muitos pontos que contam a favor do livro!
    Obrigada pela resenha que me motivou a essa leitura.
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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    1. Realmente, a primeira vista pode não interessar tanto, mas é um livro lindo!!!

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  2. Amei sua resenha, confesso que não é um livro que me chamaria atenção se eu o visse, mas depois de ler sua resenha é impossível não querer conhecer!

    www.kailagarcia.com

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  3. Menina, esse livro está com um hype enorme que eu estou deixando passar para poder ler. Geralmente eu acabo não gostando se não faço isso...
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Poxa, acho que independente de hype, ele é incrível!

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  4. Oi Clarissa,
    Confesso que não me animei a ler o livro quando houve o lançamento, mas tenho uma amiga que ficou animadíssima e ainda adorou a obra.
    E acho que essa mensagem de seguir em frente é o mais importante de tudo. Gostei!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. Ela tem um ensinamento lindo mesmo, que vai além da narrativa <3

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