Natasha Kampusch, o sequestro e a esperança (3096 dias, Natascha Kampusch)

15 setembro 2018
   Voltando com minha obsessão por histórias reais, 3096 dias foi um desejado de anos e anos que finalmente consegui ler depois de ter comprado em Maio, na promoção da Saraiva do dia da mulher. Mesmo depois de muito tempo desde minha última leitura desse estilo pesado, 3096 dias foi uma leitura daquelas indispensáveis, sabe?

3096 dias
Natascha Kampusch
Editora: Verus
Ano: 2011
Páginas: 225
Gêneros: Autobiografia, Histórias reais
Classificação etária: +16 anos*
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Sinopse: Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador - o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero.



   Antes desse livro, confesso que não sabia sobre a Natascha nem sobre o maior sequestro que se teve registro**. Acabei conhecendo por meio da Bel e o gosto dela, que hoje é parecidíssimo com o meu. Fico feliz em ter me dado a oportunidade de sentar e conhecer um lado doentio de um ser humano, que por motivos impensáveis sequestrou uma criança de 10 anos e a prendeu em um cativeiro, perdendo não só sua vida como o senso de realidade.

"Em minha mente, eu guardava cada detalhe sobre o sequestrador, de modo que pudesse descrevê-lo após minha libertação. Mas eu dependia muito da aparência, que não revelava nada sobre ele."

   Os 3096 dias de Natascha no cativeiro, em que foi mantida por Wolfganf Priklopil, foram pra ela  uma fase obscura, mas que, por sorte, ficou pra trás, ao contrário de dezenas de meninas que também foram sequestradas na época, em 1998, mas que infelizmente foram assassinadas. Natascha chegou ao cativeiro aos 10 anos e ficou no cubículo por meses sem contato de nada além do sequestrador. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais submissa psicologica e fisicamente a Wolfgang. 

   Os primeiros capítulos do livro mostram que a Natascha da época do lançamento já entendia um pouco sua cabeça no tempo do sequestro. Era uma criança depressiva e solitária, sem apoio familiar e que sofria bullying. O sequestro, depois de alguns dias, semanas e anos, se tornou a realidade dela, que cresceu naquele meio, sendo violentada psicologicamente e depois fisicamente. Ler a visão da Natascha me fez entender os absurdos que um ser humano é capaz de fazer por sinceramente ser doente mesmo. 

"Minha infância acabou aos 10 anos de idade, quando fui sequestrada. Deixei de ser criança no cativeiro, no ano de 2000."

   3096 dias é contado detalhadamente, mas cuidadosamente. Nada é muito explícito, mesmo a própria narração sendo pesada por motivos óbvios. O tempo é contado por época e o que chegava a acontecer, no crescimento da menina e do tratamento dela pelo sequestrador. Aos poucos, junto com Natascha, descobrimos a personalidade daquele homem e seus problemas mentais. Um ponto importante do livro é quando Natascha rebate críticas da mídia que teve que enfrentar quando fugiu do cativeiro. Ela teria sofrido da Síndrome de Estocolmo durante os 3096 dias? Pra quem não sabe, essa síndrome causa afeição do sequestrado com seu sequestrador, procurando motivos para ele ter feito isso, chegando a defendê-lo e até ter um relacionamento afetivo com ele.

   Lendo todo esse lado, entendo o lado da Natascha. Vocês conseguem imaginar passar dos 10 anos aos 18 anos de idade presa? Não. As piores partes pra mim foram na própria casa, depois que Natascha saiu do cativeiro e virou escrava. 3096 dias é forte sim, mas importante assim como a maioria dos livros de histórias reais envolvendo crimes. Graças a Deus, Natascha conseguiu sair daquele lugar horrível. Como foram seus dias lá, o que ela fazia, como fugiu e tudo mais, acho que você deve se dar essa oportunidade de conhecer, sabe? 

"Somente agora, nestas páginas, posso deixar o passado para trás e dizer verdadeiramente: Estou livre."

*contém cenas explícitas de violência extrema, descrições pesadas e tortura psicológica.
** na época da fuga da Natascha era o sequestro mais duradouro e que felizmente teve um final feliz. Hoje, em 2018, o sequestro mais longo é o da Madeleine McCann, que desapareceu em 2007, em Portugal, e até agora não foi encontrada. Hoje, 11 anos depois, se tornando realmente o sequestro mais longo, a família rebata críticas de assassinato da própria filha e luta pela continuação das investigações, com fé de que ela também esteja viva, como Natascha esteve os 8 anos, de 1998 a 2006.

4 comentários

  1. Olá, Clarissa.
    Eu não tenho muito o hábito de ler livros com histórias reais, ainda mais como essa que deve ser bem forte. Mas fica aquela curiosidade então fico muito dividida entre ler ou não.

    Prefácio

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  2. Eu tenho MUITA vontade de ler esse livro. Não é bem o que eu gosto de ler, mas quero muito ver a visão dela sobre todo esse tempo de sequestro. Imagina que loucura?? Eu jamais ia imaginar que sairia viva... =O Adorei a resenha!

    Boa semana!
    tipsnconfessions.blogspot.com

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  3. Oi, Clarissa
    Eu já li livros sobre sequestro, que por sinal amei muito, mas eu não li nada baseado em uma história real. Eu achei interessante você abordar a síndrome de estocolmo porque eu acho que o nosso psicológico, a medida que passa por situações traumáticas, arranja um jeito de nos "proteger", e é uma forma de defesa. Não deveríamos julgar essas pessoas e somente entender e apoiar.
    Eu não leria porque eu não tô nessa vibe mas anotei a dica.
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com/

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  4. Oi, Clarissa!
    Eu lembro vagamente de quando Natasha conseguiu fugir e as notícias na mídia. Esse livro deve ser bem pesado mesmo, muito fora da zona de conforto. Anotei a dica porque eu curto sair da caixinha algumas vezes.
    Beijos
    Balaio de Babados
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