Um mundo de realezas e prostituição no século XIX (A Duquesa, Danielle Steel)

20 julho 2018
   Seguindo o que falei neste post, quero começar a escrever sobre os livros que li sem ter o compromisso de chamar de resenha. Nada mecânico. Nada específico sobre o livro, além do que me fez ler e sobre o que li, que acho que seria importante saber que está no livro e que pode te interessar. O que A Duquesa me trouxe? Todo um universo da prostituição desconhecido pela maioria de nós. 

A Duquesa
Danielle Steel
Editora: Record
Ano: 2018
Páginas: 335
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Classificação indicativa: +14 anos (não contém conteúdo sexual explícito)
Sinopse: Angélique Latham cresceu no esplendoroso Castelo Belgrave, na Inglaterra, e foi criada sob a tutela e o carinho do pai, o duque de Westerfield. Aos 18 anos, ela é a menina dos olhos do duque, mas, assim que ele morre, seus meios-irmãos mais velhos lhe viram as costas, abandonando-a completamente. Porém, com sua inteligência aguçada, uma beleza arrebatadora e um baú de dinheiro que seu pai lhe deu em segredo no leito de morte, ela fará de tudo para sobreviver. Sem conseguir arrumar emprego por não ter uma carta de referência, mesmo depois de um tempo trabalhando como babá, Angélique tenta a sorte em Paris. E é lá que o destino coloca em seu caminho uma prostituta, vítima dos maus-tratos de Madame Albin. Ao ajudar a jovem, Angélique vê uma oportunidade: abrir um bordel de luxo para atender aos homens mais abastados da cidade e onde pudesse proteger essas mulheres. Logo, o elegante Le Boudoir, um lugar onde os homens poderosos podem satisfazer seus desejos mais secretos com as companhias mais sofisticadas, se torna a sensação de Paris. Mas, vivendo na iminência de um escândalo, Angélique conseguirá algum dia recuperar seu lugar no mundo? Da Inglaterra do século XIX, passando por Paris e Nova York, Danielle Steel retrata uma época de luta das mulheres em uma sociedade predominantemente masculina ao contar a história inspiradora de uma cativante dama de espírito revolucionário.

 


   Talvez você tenha costume ou já tenha lido romances de época e tenha visto como o século XVIII ou XIX tinha suas particularidades. Famílias ricas ou pobres, dotes, terras, bailes de debutantes, grandes casamentos, muitos filhos, criados e escravidão. Eu mesma já li vários e me delicio nos romances de Julia Quinn ao ver como tudo era tão diferente séculos atrás. Eu era acostumada a ver como moças puras e inocentes encontravam homens que a desejaram pela primeira vez. Essa é a narrativa de vários romances de épocas - que não deixam de ser incríveis por mais clichê que seja.

   Mas existia prostituição naquela época? Bem, e você acha que a prostituição é uma coisa nova? Eu pensava! Mesmo tendo participado de uma reportagem sobre prostituição, eu não imaginava que dois séculos atrás, mulheres se aventuravam para conseguir dinheiro e sobreviver em uma sociedade com seu lado negativo priorizando certa classe social. 

   Angélique, rica e filha de um duque da Inglaterra, certamente não fazia ideia de que o outro lado da sociedade sofria de alguma forma diferente de ser criado ou babá. Quando seu pai morreu, sua herança foi diretamente para os filhos homens, por lei. Angélique ficou apenas com uma quantia que o pai deu pra ela em segredo, sabendo da sociedade machista do século XIX. Sem muito dinheiro, sem família e sem nada a oferecer, ela começa a trabalhar como babá para uma família com 4 crianças. Depois de um tempo, acaba sendo demitida injustamente e, sem recomendações, fica sem opções de se manter.



   Sem uma carta de recomendação, Angélique não consegue emprego em toda Londres. Nem Paris. E é por lá que ela conhece uma moça, que acabou nas mesmas condições que ela por não ter recomendações e se rendeu à uma prostituição que só privilegiava os cafetões e donas de bordéis. Então é aí que Angélique contraria toda sua criação e se aventura no mundo da prostituição, abrindo o melhor bordel de toda a Paris, um local lindo, justo e que fazia com que ela e todas as meninas injustiçadas tivessem uma boa quantia mensal.

   Não vejo muitos livros em que personagens são prostitutas por aí. É aquela coisa que eu mesma fui capaz de ver em várias entrevistas (para uma reportagem da faculdade): a sociedade ama a prostituição secretamente e odeia a prostituta. Ela é chamada de todos os nomes ruins, mas elas vão continuar existindo. Não é dinheiro fácil. Não é uma escolha feita por querer e sim por necessidade. Fico feliz que lendo esse livro já sabia um pouco sobre a prostituição em 2018 e em como funciona. Mas dentre as moças que se prostituem no livro, vi todas as que tive oportunidade de ler sobre na reportagem que participei. Não importa se é no século XIX ou século XXI. Todas querem melhores condições de vida em um sistema que não dá possibilidade pra isso. 

   A sociedade privilegia um lado e despreza o outro. Talvez você esteja do lado privilegiado, talvez não. Talvez amanhã você acorde e, como Angélique, sua vida de privilégios seja tirada de você. O que você faria? Me inspirei muito com a coragem da filha do duque, que não se deixou abalar em momento algum e, mesmo sendo mulher em um mundo mil vezes mais machista do que é hoje, foi lá e abriu o próprio empreendimento, em uma tentativa de ajudar mulheres que eram roubadas por seus cafetões, machucadas e estupradas, e que achavam que isso é consequência da vida que tiveram que levar.



  A Duquesa fala de família, coragem, força feminina e prostituição. Apesar do tanto que falei por aqui, Danielle Steel ainda tem muito a contar com a história de Angélique e várias pessoas que passaram por sua vida. A sinopse do livro é realmente bem grande e eu pensei que tinha spoilers ou estava entregando a história toda. Acredite em mim quando digo que tem muito mais. Terminei a leitura com uma sensação de que precisava falar sobre esse livro. A gente costuma ver muitos pontos de livros nos livros, mas acho que acaba se tornando repetitivo demais e não nos damos a oportunidade de conhecer pontos de vista como este. Danielle Steel, me segure, que eu leio todos os teus 8373285 livros (ela tem livro que só!).

P.S: Me falem o que acharam desse estilo de resenha! Sempre quis escrever assim e me sinto mais eu, sabendo que falei tudo que senti que deveria ser falado sobre o livro. Vou procurar dar o melhor pra ser eu mesma por aqui agora e postar o que eu quero de verdade. E ah, quando sair a revista, posto por aqui pra vocês darem uma olhada na matéria sobre prostituição e na minha coluna de literatura!

Palavras-chave do livro: prostituição - drama - família - realeza 

Música que me lembra o livro:


12 comentários

  1. Oi, Clarissa!
    Antes de falar sobre a resenha, preciso dizer que amei essa frase: a sociedade ama a prostituição secretamente e odeia a prostituta. Se você tiver a reportagem que você escreveu, gostaria de ler!
    EU achei bem bacana esse tipo de postagem, é muito melhor para entender o que você realmente sentiu ao ler o livro, continue com elas :) Eu não me empolguei muito com o livro, mas sabia que a prostituição nessa época corria solta. É um tabu que não é muito tratado nos livros, mas que deveriam, né? O único que eu li e tratava disso se chama Butterfly. Dá uma olhada depois!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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    1. Assim que a revista for lançada, pode deixar que posto por aqui!
      Isso, acho importante que seja falado também nos livros. Vou procurar esse Butterfly!!

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  2. Oie, tudo bem?
    Primeira vez por aqui e já adorei, curti muito o formato diferenciado da resenha.
    Concordo que prostituição esteja relacionada a necessidade. Não consigo acreditar que as pessoas fariam isso se não precisassem (e, quando isso ocorre, é a exceção da exceção, tipo meninas ricas que resolvem se prostituir).
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Isso, mas acho que sempre tem um motivo por trás disso sim!

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  3. Oi Clarissa
    Eu só li um livro da Daniele e não foi nada bom, eu dei nota 2 ou 1, nem lembro. Acho ela superestimada demais por isso não pretendo ler algum livro dela por enquanto, mas vi ótimas resenhas sobre A Duquesa, e talvez seja algo que me faça querer arriscar.
    Já li um romance de época sobre prostituição que é bem interessante, mas foi romantizado então não dá pra ter uma ideia geral de como seria na época.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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    1. Sério?? Não costumava ouvir falar da Danielle e esse primeiro contato achei ótimo. Vamos ver as outras obras...
      Vishhh, romantizado é complicado mesmo!

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  4. No filme Os Miseráveis, trata também sobre essa questão da prostituição anos atrás. É bem triste e forte no filme. Mas muito interessante para podermos aprender mais sobre esse assunto que não é tão falado.
    Por esse capa eu jamais julgaria que a história tratava de temas assim e me interessei bastante pelo livro, ele parece ser muito bom. Os Delírios Literários de Lex

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    1. Quero muito ler Os Miseráveis e ver o filme!!! A capa realmente parece de romance de época, mas mal tem romance romântico nesse livro haha

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  5. Amei demais seu post, super completo e informativo. Gostei bastante da história, acho que o livro deve ser bem intenso. Fiquei bem entusiasmada para conhecer!

    www.kailagarcia.com

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  6. Oi, Clarissa!
    Eu vi sobre esse livro no Mochilão da Record e fiquei com muita vontade de ler.
    Eu adoro romances de época e, como você diz, é uma pegada muito diferente de Julia Quinn e outras autoras do gênero.
    É ver um outro lado de uma época extremamente romantizada.
    Já li 2 livros da Steel e gostei muito.
    Que bom que gostou!

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  7. Olá Clarissa!
    Quanto tempo, né?
    Bom, não sou fã de romances de época, prefiro os clássicos, mas, esse me chamou a atenção. Não sei se farei uma chance aos romances de época esse ano, mas, se for o caso, esse estará entre eles.

    Beijoooo

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