RESENHA: Eu sou Malala - Malala Yousafzai

09 junho 2018
Eu sou Malala
Malala Yousafzai e Christina Lamb
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2013
Páginas: 342
Classificação etária*: +12 anos
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.
 

   Malala é luta. É símbolo de resistência. Finalmente entendi porque algumas pessoas comparam Anne Frank à Malala Yousafzai, a paquistanesa baleada pelo Talibã em 2012. Eu, como amo Anne Frank. quis entender o porquê e o que fazia Malala antes de ser baleada e o que faz agora. 

"Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar."

Foto: Próxima Primavera

    Quando eu tinha 11 anos, ia para escola e brincava com minhas amigas na rua, na frente de casa. Quando Malala tinha 11 anos, ela vivia no Paquistão, no Swat, local tomado pelo Talibã, que do nada passou a controlar os moradores a ponto de proibir desde a venda de CDs à educação para as meninas, que há pouco haviam conseguido esse feito. Malala amava ir à escola e não conseguia entender qual a diferença entre ser um menino e poder andar livremente pelas ruas e ir à escola e ser mulher, não poder sair sem acompanhamento masculino e sem direito á educação. Malala, por meio de um pseudônimo, passou a escrever um diário para a BBC falando sobre o quanto sente falta de ser ela mesma e ser livre. Ainda assim, foi baleada no caminho da escola e sobreviveu para ser um símbolo de resistência e luta pelos direitos das mulheres e da educação para todos.

"Querido Deus. Sei que o senhor vê tudo, mas há tantas coisas  que às vezes alguns detalhes podem passar despercebidos, sobretudo agora, com o bombardeio do Afeganistão. Mas acho que o Senhor não ficaria feliz se visse a maneira como algumas crianças da minha rua estão vivendo, num lixão. Deus, me dê força e coragem e me aperfeiçoe, pois quero transformar este mundo num mundo perfeito. Malala."

   O livro começa com Malala contando sobre sua família, seu país e suas crenças. Logo conta sobre períodos históricos e como seu pai conheceu a mãe dela e tentou arduamente realizar seu sonho de construir uma escola no Swat. Ela conta situações difíceis, mas também outras inesquecíveis de sua vida com sua família e amigos. Até o Talibã se infiltrar no Swat.


Foto: Próxima Primavera

   Eu costumo dizer em algumas resenhas que é preciso estar preparado para ler tal livro. Essa autobiografia da Malala é um deles. Ela tenta fazer com que sua história seja vista como um incentivo, sobre como ela amava uma coisa a ponto de lutar com todas as armas possíveis, resistindo. Acho que por ela ter escrito a maioria do livro, dá pra sentir o caráter amável de Malala, que como qualquer menina tem sonhos, que parecem ser impedidos por crenças e por terroristas. No começo, a parte histórica foi cansativa, Malala (na verdade, Christina Lamb), conta sobre períodos históricos e a cultura do Paquistão. É interessante, mas te deixa morrendo de ansiedade para finalmente chegar em Malala, isso me desmotivou um pouco.


Foto: Próxima Primavera

   Foi só Malala começar a contar, com o jeitinho dela, sobre coisas simples do seu dia e como cada detalhe a deixava feliz, você sente uma empatia imensa. Uma vontade de abraçar a menina e falar sobre coisas boas e bonitas. Mas não é para se enganar, Malala é forte. Ela lutou por seu povo, pelas mulheres, pela educação. Sobreviveu a um tiro na cabeça, pois acredito fielmente que terrorista nenhum pode tirar o desejo de mudar o mundo de uma menina como Malala. Ela inspira, mesmo sem ser seu propósito e ela te dá o desejo de ser como ela. Não ter medo de fazer o certo e reconhecer o errado quando se erra.

Foto: Próxima Primavera

   Acho importante ler sobre Malala. Tem uns três ou quatro livros sobre ela publicados no Brasil, esse, um para crianças, outro para pré adolescentes... Tantas versões para contar a mesma história para públicos diferentes. Esse livro tem história, experiências, sofrimento, esperança e algumas imagens escolhidas pela Malala. Dá pra perceber que é preciso conhecer as palavras de Malala, a luta de Malala e ajudá-la nisso? O primeiro passo é conhecer e entender o que acontece fora da nossa bolha aqui no Brasil. Eu estou fazendo isso... e você?


*Contém cenas mostrando o terrorismo, violência e conteúdo um pouco forte para menores dessa idade

8 comentários

  1. Olá,
    Tenho muita vontade de ler esse livro.
    Adoro o trabalho dessa menina e sua história é inspiradora.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  2. Tô com muita vontade de ler esse livro!

    https://submersa-em-palavras.blogspot.com/

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  3. Eu tenho vontade de ler esse livro, acho que ela deve ter uns ensinamentos bem interessantes e acho que é educativo pra todo mundo saber o que aconteceu naquela região naquele tempo. Não sou a maior fã de história, guerras, etc, mas esse me chama bastante atenção e é a primeira vez que leio uma resenha dele :D

    Boa semana!
    tipsnconfessions.blogspot.com

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  4. Oi, Clarissa!
    Eu não sou muito de biografias, mas fiquei bem interessada na vida da Malala. Confesso que não a conhecia até ver o seu livro.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oi, Clarissa!
    Eu não leio muitas biografias e tento deixar um pouco de lado essas que carregam um tema mais pesado. Eu tenho o livro da Anne Frank aqui, mas ainda não me senti preparada para a leitura. Acredito que seja a mesma coisa com o livro de Malala. Vou guardar a dica para quando estiver mais preparada.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  6. Oi Clarissa, que resenha incrível! Eu ainda não li, mas eu imagino que seja uma leitura densa e que nos faz refletir. Sair da bolha é mega importante, tem gente que sai do país não sai da bolha, é impressionante!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Taí um livro que parece ser super interessante! Não sou muito chegada em biografias para falar a verdade, mas a história de luta de Malala é incrível =D
    Amei a resenha, beijão <3

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  8. Minha mãe leu e esse livro e amou! Agora ele está guardado na estante aqui de casa e eu estou louca pra ler também! Inclusive, li Anne Frank mas confesso que nãi me agradou tanto :(

    www.estante450.blogspot.com.br

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