26 junho 2018
#PREFIROOLIVRO Fala sério, mãe - Thalita Rebouças

#PREFIROOLIVRO Fala sério, mãe - Thalita Rebouças

   Já faz um tempo que assisti esse filme e confesso que fiz isso antes de ler o livro, por mais que eu sempre repita que vou procurar ler antes de ver. Não consegui me segurar e acabei tendo uns spoilers com o filme, mas isso só aumentou minha vontade de ler o livro, que superou minhas expectativas.


   Se você ainda não conhece esse filme, ele é a adaptação da obra da maravilhosa Thalita Rebouças que foi para os cinemas esse ano e fez sucesso de bilheteria, acredita? Óbvio que fiquei curiosíssima pra assistir, já que a Ingrid Guimarães faz parte do elenco junto com a Larissa Manoela, que eu nunca tinha visto atuar. O resultado foi uma comédia gostosa e fiel à escrita da Thalita!


SOBRE O LIVRO FALA SÉRIO, MÃE!


O livro é dividido em duas partes, a primeira narra o nascimento de Maria de Lourdes e como foi seu crescimento, narrado pela mãe Angela Cristina, uma mulher extremamente protetora. Na segunda parte, Malu consegue falar por si própria, contando como é viver com uma mãe assim. 

"Por essas e outras razões que uma amiga minha diz que aquela rede de proteção que botamos nas janelas não é para crianças não caírem. É para as mães não se jogarem lá embaixo."

É comédia que você quer? Acho que foi o primeiro e único livro até agora que ri de chorar lendo. É incrível como a autora conseguiu captar a família brasileira e escrever cenas que com certeza já passamos na adolescência. O livro é curto, fofo e gostoso de ler, como já é bem clássico da Thalita Rebouças!

SOBRE O FILME FALA SÉRIO, MÃE (2018)

O filme é quase a cópia perfeita do livro, acho que o cenário, as atrizes principais e todo o humor traduziu exatamente o que dá pra imaginar lendo o livro. O filme é brasileiro e por mais que a fama do nosso cinema não seja lá tão boa na comédia atual, o sucesso de Fala Sério, Mãe nos cinemas prova que ele foi produzido com muito cuidado, tentando se aproximar do que Thalita queria passar com o livro: a família e seus pontos de vista. 



Apenas algumas cenas do livro foram gravadas e, na minha opinião, foram as melhores, que traduziram bem o papel mãe e filha que Ingrid Guimarões e Larissa Manuela souberam bem interpretar. Juro que não tem Angela Cristina e Maria de Lourdes melhor que elas duas.

Fala Sério, Mãe é adolescente, mas também família e comédia pra descontrair. Com temas como infância, adolescência, amizades, relacionamentos e sonhos, me vi totalmente em Malu e o final (diferente do livro!) me fez chorar demais, sério. Achei lindo que a cena não esteve no livro, mas combinou totalmente com a narrativa! Talvez por isso eu deva dizer que #prefiroofilme dessa vez?



Então, quando você estiver procurando um filminho leve e brasileiro que dá pra se identificar com cada palavra da mãe da Malu, aposta nesse que não tem erro!
24 junho 2018
RESENHA: A Garota do Calendário (Outubro) - Audrey Carlan

RESENHA: A Garota do Calendário (Outubro) - Audrey Carlan

A Garota do Calendário (Outubro)
Audrey Carlan
Editora: Verus
Ano: 2016
Páginas: 160
Classificação etária*: +18 anos
Sinopse: Mia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato. A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser. Outubro virá com um sopro de novidade para Mia. Agora que as coisas estão quase todas resolvidas em sua vida, ela pode se estabelecer com o homem que ama e dar uma nova direção para sua carreira.


Por incrível que pareça, quanto mais leio essa série de livros dos meses, mais quero parar de ler. Apesar de todas as resenhas negativas que leio por aí, gosto de saber que essa série tem livros de poucas páginas e bem simples de ler, se tornando aqueles livros que você encaixa entre leituras pesadas sabe? Mas quanto mais chego próxima do fim, mais me decepciono. 

ESSA RESENHA NÃO CONTÉM SPOILERS DOS OUTROS LIVROS

Bem, nesse décimo livro, Mia precisa lidar com um desastre que aconteceu na vida do namorado e o deixou mal psicologicamente falando, enquanto isso tenta decolar uma nova carreira, mas ainda com um pézinho no que sempre gostou de fazer.

"Eu precisava ter fé. Confiar na jornada. Agora, mais do que nunca, eu precisava acreditar nas palavras que havia tatuado no pé."

Não tem muito o que falar de um décimo volume de um livro sem dar spoilers, mas devo dizer que odiei a romantização dos transtornos psicológicos tratados nesse livro. Como se tudo fosse resolvido com sexo, sabe? Acho que o livro inteiro só trata disso e, ao contrário dos outros, isso fez com que eu não me sentisse atraída por ele e nem afim de terminar. 

Não sei o rumo que a história da Mia vai tomar nesses últimos dois livros seguintes, mas desse livro aqui eu realmente não estou gostando da trajetória dela. Espero muito que eles tenham algo bem PAM que me anime a continuar e a gostar de ter lido doze livros de uma série. 

"Após dez  meses fazendo o que me mandavam, indo pra lá e para cá, sendo contratada para ajudar outras pessoas, eu estava cansada de seguir. De agora em diante, eu seria a líder do meu próprio destino."

*conteúdo sexual 
18 junho 2018
RESENHA: Um Verão na Itália (As Irmãs Shakespeare 1) - Carrie Elks

RESENHA: Um Verão na Itália (As Irmãs Shakespeare 1) - Carrie Elks

Um Verão na Itália
Carrie Elks
Editora: Verus
Ano: 2018 
Páginas: 280
Classificação etária*: +18 anos
Adicione ao Skoob - Compre aqui: Saraiva  Amazon  Kindle (pré-venda)
Sinopse: Férias de verão gratuitas em uma bela villa na Itália. A condição? Dividir a casa com seu maior inimigo... O primeiro volume da série As irmãs Shakespeare. Cesca Shakespeare chegou ao fundo do poço. Depois de escrever uma peça de teatro premiada que acabou em desastre, o bloqueio criativo se instalou, sem previsão de ir embora. Seis anos mais tarde, ela acabou de perder mais um emprego pavoroso e está prestes a ser despejada de seu apartamento. Pior ainda, suas irmãs não fazem ideia de como sua vida vai mal. Assim, quando seu padrinho lhe arruma uma temporada de verão em uma bela villa italiana, sem ter de pagar nada por isso, Cesca concorda, meio a contragosto, em ir para lá e tentar escrever uma nova peça. Isto é, antes de descobrir que a casa pertence a seu arqui-inimigo, Sam Carlton. Tendo acabado de ver seu nome em todas as manchetes pelas razões erradas ― mais uma vez ―, o galã de Hollywood Sam Carlton precisa de um lugar para se esconder. Que opção melhor do que a linda villa desocupada de sua família à beira do Lago Como? Só que, quando ele chega, descobre que a casa não está tão desocupada quanto ele esperava. Ao longo do quente verão italiano, Cesca e Sam terão de confrontar o passado. E o que começa como uma hesitante amizade rapidamente se torna uma atração intensa ― e depois uma aventura ardente. Uma coisa é certa: este será um verão abrasador... Esta é a nova e deliciosa série da autora best-seller Carrie Elks. Você vai conhecer a família Shakespeare: quatro irmãs, quatro histórias... quatro maneiras de encontrar o amor verdadeiro.
 

   Recebi esse livro do Grupo Editorial Record em uma caixinha linda chamada VIB (Very Important Book). Sou apaixonada pelo conteúdo da caixa, tomaram um cuidado imenso em ser tudo perfeito e lendo o livro percebo que foi bem fiel á divulgação do lançamento. Esse mês, Um Verão na Itália está sendo lançado com toda sua magia das terras italianas. Um romance bem teatral que te prende e te apaixona mesmo carregado de clichê.


   Cesca Shakespeare é uma roteirista que escreveu uma peça maravilhosa que acabou sendo cancelada antes da estreia. Seis anos depois do fiasco, ela continua com bloqueio criativo e o medo de escrever fez com que ela procurasse outros empregos e nunca tivesse dinheiro na carteira. Uma oportunidade incrivel aparece na sua vida, um verão na Itália, tomando conta de uma villa, fugindo de Londres por um tempo. Quem teve essa mesma ideia foi Sam Carlton, um ator famoso de Hollywood, que havia acabado de explodir na mídia com um monte de mentiras. Cesca não aprecia a companhia do garanhão já que ele é seu inimigo de seis anos atrás. 

   Bem clichê, claro. Já da pra imaginar o que vai acontecer. Mas, como sempre digo por aqui, isso não significa nunca que o livro vai ser chato ou repetitivo. O que acontece na leitura de Um Verão na Itália é um aquecimento de coração (que? kk) que te faz ler até o fim e nem perceber que tá acabando até ver o epílogo. Me senti na Itália e desejei poder visitar alguma villa e até mesmo ler esse livro na tal paisagem descrita lá. Imagina que incrível seria?

"Cesca ficou empolgada. Era como se tivesse sido transportada da linda villa de Varenna de volta para Londres, para um teatro velho e empoeirado com enormes cortinas vermelhas e poltronas de veludo esfarrapado. Ela estava observando seus personagens interagirem, brincarem, se apaixonarem, e era lindo."

   No começo fiquei meio entediada porque achava que o clichê ia ser monótono, mas foi só eu descobrir as frustrações da protagonista que me identifiquei com ela e logo também com o mocinho. Vou logo dizendo que é um romance, mas não é nem estilo John Green nem Nicholas Sparks. É mais um drama, com começo, meio, clímax e fim. E que fim! Foi ótimo ler que a autora soube usar bem a proposta de ser tudo meio teatral, acontecendo na Itália e com muitos sonhos envolvidos. 


   O que tirei de lição desse livro é o que me deixa dar cinco  estrelas com orgulho. Cesca me fez querer lutar pelo meu sonho de escrever. Ela é a prova viva que mesmo passando por uma crise de escrita, sem vontade de escrever por medo de algo, nunca é tarde pra se inspirar novamente e seguirmos o que sonhamos, independente do que seja. Sam também me ensinou umas coisinhas, mesmo sendo um pouco possessivo ás vezes (gostei de ver que a protagonista não foi bestinha e não tolerava relacionamento abusivo!), ele é um personagem incrivelmente honesto e forte, daqueles que só querem te deixar bem e nem é só no sentido romântico. Esperei demais do livro, mas não tanto quanto ele realmente me deixou inspirada e me fez sentir bem comigo, sabe? Essa belezura está em lançamento e eu te indico se você gosta de livros que se passam em lugares como a Itália, com um romance leve e uma lição bem de ir atrás do que a gente quer!

P.S: E é o primeiro de uma série de livros das irmãs Shakespeare, já quero porque amei as irmãs de Cesca e elas apareceram bem pouco!

"A necessidade de consertar as coisas tomou conta de sua mente. Mas o que ele poderia fazer? Não tinha sentido ficar pensando em salvá-la. Ele não conseguia nem salvar a si mesmo."
*conteúdo sexual

11 junho 2018
RESENHA: Casada Até Quarta (Noivas da Semana #1) - Catherine Bybee

RESENHA: Casada Até Quarta (Noivas da Semana #1) - Catherine Bybee

Casada Até Quarta (Noivas da Semana #1)
Catherine Bybee
Editora: Verus
Ano: 2017
Páginas: 196
Classificação etária*: +18 anos
Sinopse: Blake Harrison: rico, nobre, charmoso... e precisando de uma esposa até quarta-feira. Para isso, Blake recorre a Sam Elliot, que não é o homem de negócios que ele esperava. Em vez disso, ele encontra Samantha Elliot, linda e exuberante, com a voz mais sexy que ele já ouviu. Samantha Elliot: dona da agência de casamentos Alliance, ela não está no menu de pretendentes... até Blake lhe oferecer milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele, e além disso o dinheiro vai ser muito útil para quitar as contas médicas da família dela. Samantha só precisa disfarçar a atração que sente por seu novo marido e evitar a todo custo a cama dele. Mas os beijos ardentes de Blake e seu charme inegável se provam muito difíceis de resistir. Era um contrato de casamento que previa tudo... menos se apaixonar. Agora só resta a Samantha proteger seu coração até que o contrato chegue ao fim.
 

Incrivelmente clichê. Se você mesmo após ler a sinopse de Casada Até Quarta não o considerar clichê, algo está errado. Mas, claro, já sabia de tudo isso antes de começar a ler o livro e arrisco dizer que foi por isso que finalmente li. Às vezes a gente só quer um clichê gostoso e curto entre leituras pesadas, o que aconteceu mesmo comigo quando me aventurei neste. 

Sam Elliot tem uma agência de casamentos arranjados. Basicamente, se você é um magnata e precisa de uma esposa imediatamente, mas não tem tempo de conhecer alguém, você precisa da ajuda de Sam, que tem um batalhão de mulheres disponíveis para casamento e com a ficha limpa, finas e com classe. Blake é um desses que precisa de uma esposa... até quarta feira. Porém, ao ver Sam, ele oferece a ela um contrato de milhões de dólares para ela ser a tal esposa. O probleminha é a atração evidente de Sam por Blake. 

"Um acordo - era exatamente disso que ele precisava. Um contrato. Um negócio que beneficiasse ambas as partes durante um ano. Depois, cada um poderia seguir seu caminho e nunca mais olhar um para a cara do outro"

Nenhuma novidade na premissa do livro, é verdade. A proposta me parece com a de A Garota do Calendário, em que Mia é uma acompanhante por doze meses do ano para conseguir dinheiro para pagar um agiota do pai. Dessa vez, nossa querida Sam também tá precisando da grana que o Blake oferece por ser sua esposa. Bem, ele tem seus motivos em querer uma esposa tão rápido e isso envolve negócios, herança e bastante dinheiro. Não concordo tanto com esse negócio de "comprar" uma mulher para parecer bom na fita, sabe? 

Mas como todo e qualquer romance nesse estilo, a autora soube escrever capítulos curtos e que se complementavam. Além de o livro ser beeem fino. Sério. Consegui ler ele em uma manhã enquanto esperava para ser atendida no consultório. É aquela histórinha clássica dos eróticos de "temos que ficar juntos, mas não estamos oficialmente juntos, mas estou atraído por você". Todo esse lance do casamento, por mais clichê que seja, me prendeu até o fim por ser bem levinho e divertido.

"- Estou mais ansiosa para esse casamento do que pensei que ficaria.
Seria difícil dizer a ela que sentia a mesma coisa? Mas isso faria parecer que ele não tinha tudo sob controle."

Li várias críticas negativas sobre esse livro e a série em si e concordo plenamente com a opinião das pessoas. É um livro clichê, curto, rasinho, com diálogos que você pode imaginar que pode acontecer. Mas às vezes é de um livro assim que a gente precisa pra se distrair, rir de algumas besteiras e tudo o mais. Sem comprometimento em ler tudo, a gente lê pra se sentir bem e porque ler é gostoso. Um livro de fácil digestão é tão bonzinho 😊

*Conteúdo sexual

09 junho 2018
RESENHA: Eu sou Malala - Malala Yousafzai

RESENHA: Eu sou Malala - Malala Yousafzai

Eu sou Malala
Malala Yousafzai e Christina Lamb
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2013
Páginas: 342
Classificação etária*: +12 anos
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.
 

   Malala é luta. É símbolo de resistência. Finalmente entendi porque algumas pessoas comparam Anne Frank à Malala Yousafzai, a paquistanesa baleada pelo Talibã em 2012. Eu, como amo Anne Frank. quis entender o porquê e o que fazia Malala antes de ser baleada e o que faz agora. 

"Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar."

Foto: Próxima Primavera

    Quando eu tinha 11 anos, ia para escola e brincava com minhas amigas na rua, na frente de casa. Quando Malala tinha 11 anos, ela vivia no Paquistão, no Swat, local tomado pelo Talibã, que do nada passou a controlar os moradores a ponto de proibir desde a venda de CDs à educação para as meninas, que há pouco haviam conseguido esse feito. Malala amava ir à escola e não conseguia entender qual a diferença entre ser um menino e poder andar livremente pelas ruas e ir à escola e ser mulher, não poder sair sem acompanhamento masculino e sem direito á educação. Malala, por meio de um pseudônimo, passou a escrever um diário para a BBC falando sobre o quanto sente falta de ser ela mesma e ser livre. Ainda assim, foi baleada no caminho da escola e sobreviveu para ser um símbolo de resistência e luta pelos direitos das mulheres e da educação para todos.

"Querido Deus. Sei que o senhor vê tudo, mas há tantas coisas  que às vezes alguns detalhes podem passar despercebidos, sobretudo agora, com o bombardeio do Afeganistão. Mas acho que o Senhor não ficaria feliz se visse a maneira como algumas crianças da minha rua estão vivendo, num lixão. Deus, me dê força e coragem e me aperfeiçoe, pois quero transformar este mundo num mundo perfeito. Malala."

   O livro começa com Malala contando sobre sua família, seu país e suas crenças. Logo conta sobre períodos históricos e como seu pai conheceu a mãe dela e tentou arduamente realizar seu sonho de construir uma escola no Swat. Ela conta situações difíceis, mas também outras inesquecíveis de sua vida com sua família e amigos. Até o Talibã se infiltrar no Swat.


Foto: Próxima Primavera

   Eu costumo dizer em algumas resenhas que é preciso estar preparado para ler tal livro. Essa autobiografia da Malala é um deles. Ela tenta fazer com que sua história seja vista como um incentivo, sobre como ela amava uma coisa a ponto de lutar com todas as armas possíveis, resistindo. Acho que por ela ter escrito a maioria do livro, dá pra sentir o caráter amável de Malala, que como qualquer menina tem sonhos, que parecem ser impedidos por crenças e por terroristas. No começo, a parte histórica foi cansativa, Malala (na verdade, Christina Lamb), conta sobre períodos históricos e a cultura do Paquistão. É interessante, mas te deixa morrendo de ansiedade para finalmente chegar em Malala, isso me desmotivou um pouco.


Foto: Próxima Primavera

   Foi só Malala começar a contar, com o jeitinho dela, sobre coisas simples do seu dia e como cada detalhe a deixava feliz, você sente uma empatia imensa. Uma vontade de abraçar a menina e falar sobre coisas boas e bonitas. Mas não é para se enganar, Malala é forte. Ela lutou por seu povo, pelas mulheres, pela educação. Sobreviveu a um tiro na cabeça, pois acredito fielmente que terrorista nenhum pode tirar o desejo de mudar o mundo de uma menina como Malala. Ela inspira, mesmo sem ser seu propósito e ela te dá o desejo de ser como ela. Não ter medo de fazer o certo e reconhecer o errado quando se erra.

Foto: Próxima Primavera

   Acho importante ler sobre Malala. Tem uns três ou quatro livros sobre ela publicados no Brasil, esse, um para crianças, outro para pré adolescentes... Tantas versões para contar a mesma história para públicos diferentes. Esse livro tem história, experiências, sofrimento, esperança e algumas imagens escolhidas pela Malala. Dá pra perceber que é preciso conhecer as palavras de Malala, a luta de Malala e ajudá-la nisso? O primeiro passo é conhecer e entender o que acontece fora da nossa bolha aqui no Brasil. Eu estou fazendo isso... e você?


*Contém cenas mostrando o terrorismo, violência e conteúdo um pouco forte para menores dessa idade
07 junho 2018
4 bestsellers YA do The New York Times

4 bestsellers YA do The New York Times



  Às vezes a gente pega um livro e, abaixo do autor. uma frase chama a nossa atenção. Best seller do The New York Times. No começo, mal sabia o que significava, mas logo descobri que o jornal americano seleciona os livros mais vendidos por semana e os colocam em ranking. Gosto de entrar às vezes para ver se os livros novos estão chegando no Brasil ou não. Por isso, reuni nesse post quatro livros que estão essa semana de 3 - 8 de Junho de 2018 no ranking do The New York Times. A seleção não foi feita por ordem de mais vendidos. 

THE HATE THAT YOU GIVE (ANGIE THOMAS)
No Brasil, O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA, publicado pela Galera Record. Desde antes de ser lançado no Brasil eu já estou de olho nesse livro que parece ser pesado, mas extremamente necessário de ser lido. 

Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.


TURTLES ALL THE WAY DOWN (JOHN GREEN)
No Brasil, TARTARUGAS ATÉ LÁ EMBAIXO, publicado pela Intrínseca. A maioria de nós leitores já lemos ou ouvimos falar do John Green por causa de obras bem populares como A Culpa é das Estrelas ou até meso Cidades de Papel ou Quem é você, Alasca?. Esse é o lançamento do autor e eu, que geralmente não gosto tanto das narrativas dele, me apaixonei por ele. Tartarugas até lá embaixo já é um dos meus favoritos da vida e do ano de 2018. 




A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.




LEGENDARY (STEPHANIE GARBER)

No Brasil, ainda sem previsão de lançamento. Esse está agora em #1 na lista de Young Adults e é a sequência de Caraval, que ficou bem popular no Brasil, publicado pela Novo Conceito. Tenho o livro aqui na minha estante e mal posso esperar para ler tanto o primeiro quanto o lançamento!



O Caraval deste ano acabou. Tella está viva - e segura, para o alívio de sua irmã mais velha. Mas Tella esconde segredos de Scarlett. Segredos como o que Tella prometeu em troca dos convites de suas irmãs para o Caraval, primeiramente. Segredos sobre a pessoa a quem essas promessas foram feitas. E segredos sobre Julian, o jogador de Caraval que conquistou o coração de Scarlett. Com medo de revelar a verdade para a pessoa que mais a ama, Tella foge para Valenda, a capital do Império, para encontrar o correspondente misterioso a quem Tella deve. Mas nas noites do Dia de Elantine, um baile de máscaras, um jubileu e Caraval, não se pode confiar em ninguém. (Tradução feita por mim, a futura tradutora)




ONE OF US IS LYING (KAREN M MCMANUS)

No Brasil, Um de Nós Está Mentindo, publicado pela Galera Record. Esse livro foi outro que me impressionou esse ano, me segurou do começo ao fim. O thriller adolescente envolvendo investigação e assassinato ainda continua na lista do TNYT pela 46ª semana consecutiva. 


Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.
04 junho 2018
RESENHA: É assim que acaba - Colleen Hoover

RESENHA: É assim que acaba - Colleen Hoover

É assim que acaba
Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Páginas: 368
Classificação etária*: +18 anos
Adicione no Skoob - Compre aqui (Saraiva  Amazon  Kindle)
Sinopse: Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.


   Mais um livro lido da rainha dos livros (pra mim) Colleen Hoover. Quem me conhece bem sabe que ela é minha autora favorita internacional e minha meta de vida é conseguir ler todos os livros dela. Recebi É Assim que Acaba da Galera Record e fiquei muito feliz em poder ler esse livro, que se tornou um dos meus favoritos da vida. 



"Lily. A vida é engraçada. A gente só tem alguns anos para viver, então precisamos fazer o possível para viver esses anos intensamente. Não devemos perder tempo com coisas que talvez aconteçam algum dia ou então nunca."

   Em É assim que acaba, Colleen Hoover conta a história de Lily Bloom, uma mulher formada em administração que tem sonhos ambiciosos para o futuro. Depois do enterro de seu pai, Lily afoga suas mágoas e de quebra acaba conhecendo Ryle, um neurocirurgião fissurado por verdades nuas e cruas. Tudo isso trás a tona o passado de Lily e ela procura ler o diário que escreveu aos 15 anos, quando teve seu primeiro amor, um mendigo chamado Atlas. Porém, relendo esses diários, Lily volta a dar de cara com problemas familiares envolvendo abusos, violência e relacionamentos abusivos.

   Ao começar a ler esse livro, confesso que não consegui entender de cara o que a autora queria passar com Lily e Ryle. Tudo pareceu acontecer muito rápido, em questão de um capítulo, até Colleen desacelerar de vez e tudo começar a se encaixar. O diário de Lily, de quando ela tinha 15 anos, é o que toma conta da maioria das páginas do começo até o começo da segunda parte do livro. Lily era uma adolescente normal, que se apaixonou por um cara mais velho, gentil, porém cheio de problemas, o que, inclusive, fez com que ele se tornasse um sem teto.

"Imagine todas as pessoas que você conhece ao longo da vida. São muitas. Elas surgem como ondas, entrando e saindo aos poucos, dependendo da maré."

   E foi nesses diários que eu comecei a sofrer. Primeiro uma pontadinha, depois eu já parava o livro para respirar fundo. O passado de Lily é recheado de dor e medo, já que ela presenciou um relacionamento extremamente abusivo dos pais e o presente acaba se tornando um reflexo do seu passado, quando Lily se envolve com Ryle, um cara nada preparado para compromissos.

   Achei a temática do livro extremamente necessária. É  pesado? Muito. Dá pra chorar? Se você tiver sensibilidade a assuntos como violência sexual, estupro, abusos e pressão psicológica, não leia este livro agora. Colleen Hoover, mais uma vez, conseguiu nos passar uma mensagem forte sobre relacionamentos, o que a gente geralmente não vê em muitos romances água com açúcar que temem trazer uma realidade triste, porém real. É assim que acaba é sobre amor, dor e sacrifícios feitos quando se ama alguém. 

"'Como ela pode amar o cara depois do que ele fez com ela? Como ela pode considerar voltar para ele?' Acho triste saber que esses são os pensamentos de uma pessoa quando alguém sofre violência. Não deveríamos sentir um desgosto maior pelos agressores que pelas pessoas que continuam os amando?"

P.S: Chorei nas notas da autora, quando Colleen, com muitos spoilers - não leiam antes de ler o livro -, conta o porquê de ter escrito esse livro e faz um breve relato sobre a luta contra os relacinamentos abusivos e a violência contra a mulher

*Contém conteúdo sexual, relações abusivas e estupro.

por aqui...

algumas parcerias e informações