RESENHA: Estamos Bem - Nina LaCour

19 março 2018
Estamos Bem
Nina LaCour
Editora: Plataforma21
Ano: 2017
Páginas: 224
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Sinopse: Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida. Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.


      Lembro que a primeira vez que ouvi falar desse livro foi nos stories da Bruna Vieira, do Depois dos Quinze. Ela estava mostrando os livros de capas mais bonitos de uma livraria de São Francisco, na Califórnia, e eu automaticamente achei a capa desse maravilhosa. Assim que vi que foi lançado no Brasil, já sabia que leria pela perfeição da capa, mas a sinopse meio misteriosa me deixou bem curiosa também e foi assim que comecei minha leitura.

"Todos (os cobertores) estão dizendo: deite. Ninguém vai saber se você passar o dia inteiro na cama. Ninguém vai saber se ficar com o mesmo moletom o mês todo, se fizer todas as refeições vendo TV e limpar a boca na camiseta. Vá em frente, escute a mesma música sem parar, até o som perder o sentido. Você pode passar o inverno dormindo."

     O livro conta a história de Marin, que fugiu de casa depois de uma tragédia, deixando tudo para trás, inclusive sua melhor amiga (e amante) Mabel. Ela tem fantasmas do passado a atormentando todos os dias enquanto passa as férias de fim de ano sozinha no alojamento da faculdade e é uma visita de Mabel que faz com que Marin tenha ânimo de receber a amiga e ainda por cima de lidar com respostas para perguntas que nem ela mesma sabia que existiam. 

    Estamos Bem é bem misterioso em si. Não sabia bem o que estava acontecendo com Marin no começo, mas amei a escrita meio poética da autora, que me deixou fascinada pelo conjunto de palavras que eram pesadíssimas, mas tão verdadeiras. Vemos uma protagonista que fugiu de casa e não sabemos os motivos, mas vemos claramente os sintomas de depressão, ansiedade e síndrome do pânico. E é com a chegada da tal melhor amiga que tudo muda. 

"Sei que estou sempre sozinha, mesmo quando cercada de pessoas, então deixo o vazio entrar."

    Mabel, a melhor amiga de Marin, vai visitar o alojamento perto do Natal, como uma forma de pedir que Marin volte para casa e more com sua família. Mas é com a chegada da menina que percebemos que existem muitos assuntos pendentes entre as duas, inclusive um romance no último ano da escola. As duas mantém diálogos muito intensos e cheio de referências do livro Jane Eyre, da Charlotte Brontë (inclusive: ALTOS spoilers, tive que pular todos porque vou ler em breve). 

"Eu tinha afastado a dor. E a encontraria nos livros. Chorava pela ficção em vez de chorar pela verdade. A verdade era irrestrita, sem enfeites. Não havia linguagem poética nela, nem borboletas amarelas, nem inundações épicas. Não havia uma cidade presa embaixo d'água nem gerações de homens com o mesmo nome, destinados a repetir os mesmos erros. A verdade era ampla o bastante para se afogar nela."

    A narração é feita entre presente e flashbacks, que contam o motivo de todas as insegurança de Marin e sua fuga. É no passado que conhecemos a infância de Marin, sua relação com seu avô e seu amor incondicional por sua melhor amiga. Me apeguei demais às lembranças de Marin e consegui me transportar para o passado, senti a dor dela e a saudade que ela sentia de um passado que nem chegou a viver com sua mãe falecida.

   E quando eu acho que nada mais pode ser revelado, o dia da fuga de Marin é contada e tudo faz sentido, mas ao mesmo tempo também não faz. Foi aí que culpei Marin, culpei o avô dela e principalmente Mabel. Fiquei inconformada com o fato de Marin ter SUMIDO por meses e ninguém ter ido atrás dela. Consegui sentir a solidão e eu devo dizer que a autora, Nina LaCour, está de parabéns por ter me feito sentir tantas coisas com esse livro. Ele quase não é um romance também. Ele está presente, a temática LGBT também, mas toda a peça chave gira em torno de como traumas, cenas, momentos e palavras podem te isolar do mundo e te mudar. No fim, consegui derramar umas lágrimas com o livro, pois ele se tornou unicamente familiar. Mesmo tendo ficado indignada com a postura dos personagens (quando o assunto era séríssimo), Estamos Bem é triste, sincero e revigorante. Tudo ao mesmo tempo.  

"O problema da negação é que, quando ela chega, você não está pronta."


14 comentários

  1. Oi oi Clary!
    Eu já tirei e coloquei esse livro no meu carrinho da amazon, várias e várias vezes. Mas depois de ler essa sua resenha maravilhosa e muito bem esclarecedora, percebi que preciso começar essa leitura bem rápido.

    Beijoss, Enjoy Books

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    1. Você tem que ler! É realmente muito inspirador <3
      Beijoss

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  2. Parece ser muito interessante, já quero ler :D

    https://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  3. Oie Clarissa.

    A primeira vez que eu vi esse livro pensei que era uma graphic novel por causa dessa capa linda e levei um susto quando vi que não era.

    Já estou estou a um tempo para lê-lo, mas sempre colocou outro na frente, mas quem sabe agora finalmente vai?

    Parabéns pela ótima resenha
    Abraços
    http://www.auniversitaria.com

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    1. Realmente! A capa é muito amor e super bem feita <3
      Beijãoo

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  4. Oi, Clarissa!
    Minha melhor amiga, (a Belli, daqui do Fantasma Literário) tem muita curiosidade com esse livro e consequentemente também me deixou com essa vontade de ler. É a primeira resenha que leio sobre ele e adorei seu trabalho! Fico feliz que tenha gostado, apesar de ter demorado pra entender certos pontos da história, como o Marin e todos os seus mistérios!
    Acabei de conhecer seu blog e estou seguindo, espero voltar mais vezes.
    Beijos,
    http://ofantasmaliterario.blogspot.com.br

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    1. Sim, é um livro que tem seu próprio tempo e você tem que saber acompanhar a história, mas vale muito a pena ser lido, sério.
      Opaaa, seja bem vinda!

      Beijinhos

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  5. Oi, Clarissa!
    Não conhecia o livro, mas também me apaixonei pela capa! Com certeza eu compraria sem nem ler a sinopse hahaha
    É a primeira resenha que leio e fiquei bem curiosa para saber mais e o que aconteceu no dia da partida dela. Sem falar que estou tentando ler mais livros com temática lgbt e acho que esse se encaixaria de forma suave e legal! Já foi pra minha lista <3
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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    1. HHHAHHAHA somos dessas que compram pela capa, sem nem ler a sinopse então!
      Eu também estou tentando ler mais livros LGBT e esse é tãaaao lindo <3

      Beijoss

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  6. Oi, Clarissa!
    Acho que essa é a primeira resenha que leio desse livro. Não vou mentir, não tinha muito interesse em conferir a história, mas agora estou bem curiosa, principalmente pelo sumiço de Marin.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. É bem misteriosa essa parte de Marin e te prende demais no contexto da história!!

      Beijoss

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  7. Oi Clarissa, amei sua resenha sobre esse livro, não leio muito sobre esse gênero, mas já anotei a dica!

    www.kailagarcia.com

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