3

Jardim de Inverno
Kristin Hannah

4

Confesse
Colleen Hoover

5

A Arte da Guerra
Sun Tzu

1

O Apanhador no Campo de Centeio
J. D. Salinger

2

A Escrava Isaura
Bernardo Guimarães

Territórios (in)explorados

31 agosto 2017
Foto: Tumblr

         Acho que essa é a primeira vez que sinto que devo abrir o Blogger e escrever o que estou sentindo. Gosto de fazer isso às vezes, mas quase nunca o faço na mesma hora que bate a inspiração. Agora, faço o que todos devem fazer quando sentem esse desejo de transformar pensamentos em palavras. Bem, hoje foi, inicialmente, um dia comum e preguiçoso. Tive estágio e aula de Comunicação e Culturas Populares, mas voltei pra casa mais cedo. Simplesmente peguei o ônibus das 16:30 sem meus amigos ou qualquer pessoa que eu pudesse manter uma conversa pelos 10 minutos que eu ficaria ali sentada esperando meu ponto. Desta vez, eu fazia companhia para mim mesma. Não pensei no jantar que faria um pouco mais tarde, nem se tinha louça pra lavar ou na comparação que eu tinha que fazer para a aula de sexta, por incrível que pareça. Tudo que eu conseguia pensar era em como fui parar nesse lugar que vos escrevo e descrevo. Há oito meses atrás, em 1 de Janeiro de 2017, eu fazia pedidos ao céu. Nada clichês, inclusive. Pedi especificamente que eu conseguisse passar em Jornalismo na UFPE do Recife, porque aquele era único caminho que eu conhecia para dar o primeiro passo para realizar meus sonhos. Tola.

         Tinha que ser aquele curso, aquela faculdade e aquele lugar. Na minha mente não havia espaço para mais outro e, caso eu não conseguisse passar, ficaria mais um ano na minha cidade natal, ou quantos anos precisasse, até conseguir ir pra lá. Todos os meus planos mentais já feitos foram por água abaixo em uma manhã de Fevereiro, quando consegui abrir o Sisu e ver que eu estava aprovada em uma universidade pública. Não era em Jornalismo. Não era na UFPE do Recife. No momento eu só pensava no quanto eu havia me esforçado e não acreditado em mim mesma. Mas eu estava ali e tinha conseguido. Assim que mostrei ao meu pai a tela que quase piscava uma das frases mais bonitas que já li, ele me perguntou algo desconcertante. "Caruaru? Tu vai desistir de tentar uma vaga em 2018 no Recife pra ir pra Caruru esse ano fazer um curso que nem é Jornalismo puro?". Eu passei em Comunicação Social na UFPE de Caruaru. 

         Caruaru fica, de fato, a quase a mesma distância que eu faria se estudasse no Recife, mas nem muita gente vem pro lado de cá. Meus pais me apoiaram mesmo assim e eu vim, mas a ficha nunca caía. Parecia que a qualquer momento eu acordaria cedo e iria para a escola ter mais uma aula de Física com coisas que jamais vou usar na minha vida. E foi hoje que as coisas começaram a fazer sentido pra mim. Eu preciso de uma foto que simbolize minha visão de território para a aula de Introdução ao Audiovisual. Mas o que é território pra mim? Seria Limoeiro, minha cidade natal? Caruaru? 

         Não precisei pensar muito. O que senti no ônibus hoje enquanto olhava pela janela -  e tentava fazer com que meus cabelos não voassem janela afora - explica tudo. Naquele momento eu senti amor. Senti quando o ônibus passava pelo Hospital Mestre Vitalino, por debaixo do viaduto que eu carinhosamente chamo de "coloridinho" pelas artes pintadas no interior e, finalmente, senti amor tempos depois quando puxei a cordinha sinalizando que desceria no meu lugar de sempre. Ali eu cumprimentei com amor o moço da barraca de cachorro quente da esquina com um aceno de cabeça, fiz o percurso de sempre pelo mesmo lado da calçada e abri a porta de casa como todos os dias. Quando fechei a porta atrás de mim, senti aquele amoroso cheiro de cuscuz e ri ao me lembrar que da última vez que entrei a casa estava com cheiro da soja de Fátima, minha amiga que mora comigo. Não demorei muito para perceber que esse é meu território. Não. Não é Caruaru especificamente, mesmo amando todas essas coisas. Não é Limoeiro, mesmo amando toda a cultura, o rio Capibaribe, o São João, minha casa onde cresci, minha família e amigos de lá. Não escolhi nenhum desses lugares já explorados por mim, nem muito menos os inexplorados que sonho em conhecer. 

           Meu território é todo e qualquer lugar onde eu possa amar. 
  1. Filha, o que foi isso? Hoje (ontem) só pode ter sido o dia universal da introspecção/reflexão. Eu escrevi também um pequeno desabafo lá no blog que me veio a cabeça, quando eu sai cedo da aula também (!!!) e fiquei lá na frente do bloco, já que hoje é um dos dias mais memoráveis pra mim desde dois anos atrás. Ai venho aqui e leio esse tiro.
    Um texto é um texto, né monamu.
    Eu acho que sei mais ou menos como é isso. Sabe meu perfil pra a aula de Diego? Foi esse teu texto hahaha Terminei com a frase "Lar é onde estão as pessoas que você ama". Mas nem precisa ser as pessoas. Pode ser qualquer coisa, pode ser você.
    Obrigada por esse texto. Ah! E Caruaru é topissima né hahaha amo, pero muito violenta :(
    Beijosss
    seessemundofossemeu.blogspot.com

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    1. Só podeeeee! Vou lá ler seu textinho bb, tem que valorizar os momentos de reflexão que vem assim né? hahahha
      AWWWWWW bem fofas nós somossss.
      Simmm, Caruaru topzera mesmo mucho violenta!
      Beijãoo

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  2. Oi Clarrisa.
    Que lindo essa sua declaração.
    Muitas vezes nós pedimos as coisas para Deus e não entendemos quando ele nos da algo diferente do que queremos.
    Mas muitas vezes o que ele nos deu é muito melhor do que queriamos .Quem sabe lá na outra faculdade iria só ser provação.

    Amei

    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

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    1. ISSO! Ele só dá o que precisamos, disso eu tenho certeza!

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  3. ÔO mulher que delicia de reflexão! acredito que Deus nos coloca em lugares que nunca imaginamos e quando vemos isso depois só conseguimos ser gratos. Boa sorte no seu curso, que jesus te abençoe muito!
    www.byanak.com.br

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    1. Isso mesmo, Ana. Hoje só agradeço por ter dado tão certo de um jeito que eu nunca planejei! Obrigada!!!

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  4. Desabafar, mesmo que seja começando como um "diário", nos faz um bem enorme. Delícia saber que vc abriu o coração aqui, aposto que isso deixou seus pensamentos bem mais claros. <3

    Beijão, bom final de semana! <3
    www.vitaminatrendy.com

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    1. Isso, Au. Tira um peso enorme e eu tenho certeza de que vou amar ler isso aqui daqui uns anos! <3

      Beijosss

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  5. Oi, Clarissa!
    Passei por algo parecido quando precisei de escolher o meu curso de pós-graduação. Sabe o que eu penso hoje? Que foi melhor assim :D ♥
    Fico feliz que tenha dado certo para você também!

    Beijos,

    Algumas Observações

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    1. Às vezes nossas escolhas acontecem sem planejamento, mas sem elas não estaríamos aqui né?
      Beijãoo

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  6. Ai tu escreve tão bonitinho! Acho que o nosso lugar a gente faz no aqui e agora, não importa onde a gente esteja, apenas a gente tem que se sentir bem. Às vezes os planos não acontecem como a gente planeja, mas isso não quer dizer que o futuro seja ruim, a gente só se adapta e começa a ver coisas boas onde está :D

    Bom final de semana!
    tipsnconfessions.blogspot.com

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    1. HAHAHHA Obrigada, Raqueeel! É bem assim mesmo viu? E to bem feliz aqui onde estou <3

      Beijoo

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  7. Oi querida!
    Também moro em Recife, e também estou tentando na Federal (sei que vc passou, e meus parabéns!). Bom, vai ser engraçado dizer isso, mais a minha amiga passou em 1 lugar na UFPE para Jornalismo esse ano. E adivinha?! Ela desistiu (trancou), porque queria Medicina. Eu vou tentar pela 2 vez para Fisioterapia (antes era Odontologia e Psicologia), e quero te dizer que ainda bem que não passei em nenhumas delas porque agora sei que o que realmente eu quero é Fisioterapia. Suas palavras foram lindas e espero te conhecer na bienal desse ano.

    Beijoss, Enjoy Books

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