3

Jardim de Inverno
Kristin Hannah

4

Confesse
Colleen Hoover

5

A Arte da Guerra
Sun Tzu

1

O Apanhador no Campo de Centeio
J. D. Salinger

2

A Escrava Isaura
Bernardo Guimarães

As melodias dos sonhos afundados #2

28 novembro 2016


      {Se quiser a experiência completa, leia ouvindo a música!}
        
               Enquanto eu toco meu violino vejo um aglomerado de pessoas em um canto em lágrimas cortadas por soluços. Enquanto eu mexi minha cabeça no ritmo da melodia, pessoas passam correndo ao meu lado. Salvem-se quem puder, uma voz masculina disse. Nada se passa na minha mente nesse momento. Eu sempre havia sonhado em tocar para uma plateia lotada, emocionar todos eles com os acordes magníficos do violino que eu tanto me esforcei para comprar. Aos 26 anos eu sempre via meu futuro com uma esperança tão pura que me fazia acordar todos os dias e ir tocar nesse hall pronto para ser reconhecido e um dia poder realizar meu sonho de mudar a vida de alguém. Agora, o frio da madrugada faz com que meus dedos tremam um pouco enquanto eu aperto as cordas do violino. Talvez não só o frio esteja os fazendo tremer. Uma criança chora agora no canto perto de uma grande mala. Ela está sozinha e abandonada. Quem quer que seja que deixou-a ali realmente levou a frase de socorro à sério. Reflito um pouco sobre o que ela seria quando crescesse. Um médico? Um escritor? Um violonista? Ela poderia ser quem quisesse, mas naquele momento era apenas mais um entre centenas naquele navio. Tento me concentrar na melodia da música que toco novamente, mas alguns gritos na água me desconfortam. São gritos femininos. Aquelas moças seriam casadas um dia? Teriam filhos desobedientes? Não sei. Nesse momento elas são apenas algumas entre centenas. Desvio meus olhos da ruiva que grita sem parar e fecho meus olhos me concentrando. Meu amigo ao meu lado parece estar arrependido de sua decisão. Eu, particularmente, penso que se eu tenho que desistir dos meus sonhos, eu escolho não desistir. Eu não desisti. Eu continuo tocando à medida em que o navio afunda. As luzes começam a piscar e vários barcos são jogados na água. Eu posso. Eu posso! Eu posso carregar meu violino em um daqueles barquinhos e enfrentar seja lá o que essas águas tenham a me dar. Eu estaria tentando sobreviver pelo meu sonho. "Façam filas! As mulheres e crianças primeiro!", diz um homem desesperado. Observo atentamente as pessoas que se jogam nos barcos, observo alguns homens tentando salvar suas vidas entrando nos barcos que não deveriam entrar. Eles devem estar tentando salvar seus sonhos. Olho para um de meus amigos que tocava seu violino à minha frente. Ele me encara me encorajando a continuar ali tocando o meu violino. É absurdo. Mas mesmo assim as pessoas não notam que estamos aqui jogando fora nossas oportunidades de viver. Alguém deve ter nos notado e pensado que queremos mesmo isso, que já desistimos. Não. Não desistimos. E é por isso mesmo que continuo tocando meu violino. O menino que chorava ao canto é carregado por uma mulher desesperada e ela o coloca em um dos barcos, sorrio em agradecimento. Ele merece ser um médico, escritor ou violinista. O que ele quiser. Nesse navio há tantos sonhos para serem realizados, seria uma enorme hipocrisia pensar apenas nos meus e não dos dos outros. Mas agora mesmo eu estou realizando o meu. Penso que se eu e meus amigos não estivéssemos aqui o caos seria maior, a melodia de alguma forma conforta nossos corações. Algumas pessoas se sentem confortadas e confiantes para se salvarem. Começo mais outra música. Ignoro alguns gritos nos mandando procurar um barco. Eu não sairei daqui. Continuarei tocando pelos sonhos. Pelos anseios. Pelos medos. Pelo conforto. Dezenas de pessoas correram para a ponta do navio prontas para que ele virasse. Fechei meus olhos e me imaginei tocando no Carnegie Hall. Era suave. Minha esposa está lá sorrindo orgulhosa. Ela não está aqui. Peço mentalmente que alguém a conforte e diga que eu estou feliz. Estou realizando meu sonho. Estou... 

300 coisas sobre as quais escrever:

A orquestra do Titanic continuou tocando enquanto o navio afundou. Descreva o naufrágio do navio, do ponto de vista dos músicos tocando. (228)
Dói saber que você foi algo que eu perdi pra sempre. (183)

P.S: Eu chorei demais escrevendo isso, principalmente pela música. Eu sou apaixonada pela história do Titanic e não por ser clichê e nem pelo romance. Pelos sonhos. Milhares de sonhos. 
  1. Gente, esse seu post me emocionou demais. Juro mesmo! Muita emoção nesse texto.
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

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  2. Oi, Clara.
    Mas que texto é esse moça, se apenas você tivesse chorado tudo bem rs.
    Parabéns, amei muito.
    Beijo

    Te Conto Poesia ♥

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  3. Lindo o texto. Ainda bem que eu não botei a música, senão teria chorado. KKKKKK
    Tô assistindo Gilmore Girls também. =D (Comentando sobre o outro post que eu li)

    Chiquereza

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  4. Ahh que texto lindo. Olha até me arrepiei. Gostei muito do texto e do seu blog. Vou seguir :)

    Beijinhos

    http://buongiornoprincipessa3.blogspot.pt

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