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29 maio 2016

Um (triste) banco de madeira

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                 Ela saiu caminhando pelas calçadas banhadas em chuva enquanto observava o brilho da lua refletir na poça d´água ao seu lado. Reprimiu o forte desejo de pular na poça, continuando a caminhar lentamente. Ao passar por uma casa de sacada, ouviu o conhecido som da abertura do jornal típico daquela hora. Lembrou de seus pais e de como não sentia mais aquela extrema necessidade de estar em casa que costumava sentir quando era uma criança. Desviou os olhos daquela casa onde provavelmente morava uma família feliz com seus típicos problemas. Uma mãe cozinheira que assistia o jornal impreterivelmente todas as noites, um pai ausente que chega tarde em casa vestindo um terno e gravada e uma criança que corre pela casa soltando gritos estridentes. Ela sorriu ao ouvi-los, lembrando-se de sua infância. Continuou caminhando e tentando manter seus passos sincronizados com o padrão da calçada. Quando resolveu finalmente parar, encostou-se em um poste de luz e pôs-se a observar a grande praça iluminada lotada de rostos estranhos cheios de alegrias e tristezas. Um garoto passava na ponta da calçada do outro lado da rua conduzindo um skate, ele manobrava e parecia fazer mágicas que ela não conseguia entender, e era exatamente isso que continuava fazendo com que ela não desviasse o olhar dele. Ela o chamou mentalmente de skatista descolado. A figura do garoto alto de touca e botas pretas foi diminuindo e desaparecendo de sua vista. Ela sorriu e focou em uma garota sentada em um triste banco de madeira com um violão entre suas pernas. Ela desejou que pudesse ouvir cada nota que era tocada pela garota, que dedilhava com delicadeza. Ela fechou os olhos e imaginou a melodia mais perfeita que pudesse ser ouvida no planeta. Quando abriu seus olhos, a menina havia ido embora e restava-lhe apenas um triste banco de madeira vazio para ser observado. Ela criou coragem e atravessou a rua. Caminhou até o triste banco de madeira e sentou tentando imaginar a quantidade de pessoas que já sentaram naquele banco. Talvez ela devesse deixar de denominá-lo triste. Uma menina com um violão, uma criança com um carrinho de brinquedo, uma mãe com um bebê de colo faminto por leite, um casal apaixonado procurando um pouco de paz e ela, que sentou no banco inicialmente sem razões e esperanças, mas que logo passou a ter um animalzinho de asas que antes era apenas uma lagarta movendo em seu estômago. Ela sorriu para o estranho que acabara de sentar ao seu lado. O skatista descolado sorriu de volta.

26 maio 2016

Conheça o pop romântico de Kathryn Dean

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             A aposta musical dessa vez é Kathryn Dean, que tem muita atenção da mídia brasileira. Vocês provavelmente devem conhecer alguma música dela ou até mesmo a melodia, várias novelas como Malhação e Regras do Jogo utilizaram músicas dela como tema dos casais mais famosos e bem, foi aí que conhecemos a Kathryn e um de seus maiores públicos é do Brasil. Ela veio ao Brasil para cantar no programa da Fátima Bernardes e seu site tem um link exclusivo traduzindo o site para o português até. O que me apaixonou na voz dela foi seu timbre calmo e aveludado. Uma fofa!

18 maio 2016

15 Filmes gravados em Nova York

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           Depois de bastante tempo assistindo filmes e mais filmes de comédia romântica, eu percebi que a maioria deles se passa nas maiores e mais bonitas cidades do mundo. Eu sou a louca das comédias românticas então eu escolhi alguns dos vários filmes que eu já assisti que se passam em Nova York! E eu me surpreendi ao lembrar que muitos filmes são gravados lá e as vezes nem sabemos! Aí vai a lista:

        

1. Zoolander 1 e 2

Derek Zoolander (Ben Stiller) é um supermodelo egocêntrico em crise, já que perdeu recentemente o posto de número 1 na classificação dos modelos para seu rival Hansel (Owen Wilson). Deprimido, ele busca auxílio com Jacobim Mugatu (Will Ferrell), seu "papa" no mundo da moda, que tem outros planos para Zoolander. Juntamente com uma falsa agente da CIA, Mugatu realiza uma lavagem cerebral em Zoolander, a fim de transformá-lo em um assassino frio e burro ao seu dispor. O plano de Mugatu é enviar Zoolander para assassinar o Presidente da Malásia quando este estiver em sua visita a Nova York, pois com ele morto Mugaru poderá explorar o trabalho infantil no país, o que resultará em custos mais baixos para sua confecção de roupas. Até que Matilda Jeffries (Christine Taylor), uma jornalista da Time Magazine, desconfia dos planos de Mugaru e decide por evitar que Zoolander complete sua missão.

Depois que uma série de celebridades é assassinada, a agente policial e ex-modelo de biquíni Valentina Valencia (Penélope Cruz) busca o ex-supermodelo Derek Zoolander (Ben Stiller) para ajudá-la a solucionar os casos. Porém, aposentado, assim como o ex-companheiro de passarela Hansel (Owen Wilson), ele está desaparecido – e se ressente por não ter mais contato com o filho, agora adolescente. Até que a convite de Alexanya Atoz (Kristen Wiig) dona da marca mais badalada da atualidade, eles acabam topando fazer um novo desfile. Mal sabem os desmiolados, no entanto, que tudo não passa de um plano maquiavélico comandado por Mugatu (Will Ferrell). 
2. Encontro de amor



Marisa Ventura (Jennifer Lopez) é uma mãe solteira que trabalha como camareira em um luxuoso hotel de Manhattan. Certo dia ela conhece Christopher Marshall (Ralph Fiennes), um belo herdeiro de uma dinastia política, que está hospedado no hotel. Devido a um erro de identificação Christopher imagina que Marisa seja uma hóspede e logo inicia com ela um romance, que resulta em uma grande noite a sós. Porém, quando a identidade de Marisa é revelada eles percebem que fazem parte de mundos muito diferentes, mesmo estando tão próximos um do outro.
3. A herança de Mr. Deeds


Deeds (Adam Sandler) vive na pequena cidade de Mandrake Falls, em New Hampshire, onde faz sucesso com sua pizzaria e leva uma vida tranquila. Até que, repentinamente, surgem dois executivos que lhe trazem uma notícia surpreendente: um tio afastado acabara de falecer e lhe deixou uma fortuna de US$ 40 bilhões, além do comando da maior empresa de comunicação do mundo e diversos outros negócios. Deeds parte então para a cidade grande, onde começa a implantar em seus novos negócios os valores de sua pequena cidade. É quando Babe Bennett (Winona Ryder), repórter de um tablóide sensacionalista, é enviada para observá-lo de perto, mas acaba se apaixonando por ele.
4. Grande menina, pequena mulher

        

Molly (Brittany Murphy) é uma jovem mimada que vive da fortuna deixada por seu pai, um astro do rock já falecido. Após ter toda sua herança roubada pelo seu contador, ela é obrigada a deixar as regalias de lado e procurar emprego. Molly começa então a trabalhar como babá de Ray (Dakota Fanning), uma precoce garota de 8 anos com quem passa a aprender muito sobre a vida.

5. De repente 30

            

Jenna Rink (Christa B. Allen) é uma garota que está descontente com sua própria idade, já que seus colegas mais populares da escola não lhe dão atenção, seus pais ficam sempre no seu pé e o garoto por quem está apaixonada nem sabe que ela existe. A única amizade que Jenna possui é Matt Flamhaff (Sean Marquette), seu vizinho. Para tentar reverter a situação Jenna decide por ter uma grande festa para o seu 13º aniversário, convidando todos os adolescentes que conhece. Porém o que deveria ser sua consagração se transforma num grande desastre, após Jenna ser trancada em um armário devido a uma brincadeira e ser completamente esquecida pelos demais presentes na festa. Triste, Jenna faz um pedido: virar adulta de repente, para ter a vida com que sempre sonhou. O pedido milagrosamente se torna realidade e, no dia seguinte, Jenna (Jennifer Garner) desperta em 2004 e com 30 anos de idade. De início Jenna fica assustada com as novidades de sua vida, mas aos poucos fica cada vez mais encantada por ter se tornado tudo aquilo que sempre sonhou ser. Porém, quando tenta reencontrar Matt (Mark Ruffalo), Jenna descobre que perdeu contato com ele há vários anos e que agora ele está prestes a se casar.

6. Confissões de uma adolescente em crise

       

Lola Drew (Lindsay Lohan) é uma adolescente mimada que está acostumada a ser o centro das atenções por onde quer que passe. Após se mudar para um subúrbio em Nova Jersey, ela é obrigada a trocar de escola. Lá conhece Carla Santini (Megan Fox), a garota mais popular da escola, justamente o posto que Lola tinha em sua antiga escola. Decidida a conquistar o posto na nova escola, Lola passa a disputar popularidade com Carla, especialmente na montagem da próxima peça teatral do colégio, "Pigmaleão".

7. Sorte no amor


Ashley Albright (Lindsay Lohan) é uma socialite de Manhattan, que é também a pessoa mais sortuda de Nova York. Até que um dia, em um baile de máscaras, ela conhece Jake Hardin (Chris Pine), que é a pessoa mais azarada da cidade. Eles se beijam e, misteriosamente, este ato faz com que a sorte deles seja invertida.

8. O diário de uma babá



Annie Braddock (Scarlett Johansson) é uma jovem recém-saída da faculdade, que vive em um bairro da classe operária de Nova Jersey. Ela sofre uma grande pressão de sua mãe para que encontre logo um lugar respeitável no mundo dos negócios mas, decidida a fugir do mundo real, aceita o emprego de babá de uma família rica de Manhattan, a qual chama apenas de "os X". Logo ela descobre que a vida não seria o mar de rosas que imaginava, pois precisa atender aos caprichos da sra. X (Laura Linney) e seu precioso filho Grayer (Nicholas Art), além de evitar o sr. X (Paul Giamatti). Mas a situação se complica de vez mesmo quando ela se apaixona pelo Gatão de Harvard (Chris Evans), o que a força a reexaminar sua vida.

9. Os delírios de consumo de Becky Bloom

     

Nova York. Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma garota que adora fazer compras e seu vício a leva à falência. Seu grande sonho é um dia trabalhar em sua revista de moda preferida, mas o máximo que ela consegue é um emprego como colunista na revista de finanças publicada pela mesma editora. Quando enfim seu sonho está prestes a ser realizado, ela repensa suas ambições.

10. Nova York, eu te amo


 Vários curtas e filmetes menores que compõem um caleidoscópio da metrópole que nunca dorme, misturando histórias de amor, humor, medo e todas as conexões de sentimentos pertinentes a uma cidade como Nova York.

11. Se enlouquecer não se apaixone (post do blog sobre o filme)



Craig (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e assustado com sua tendência suicida, decide buscar ajuda em uma clínica psiquiátrica. Internado por uma semana, ele logo é acolhido por Bobby (Zach Galifianakis), que se torna seu mentor, e se encanta com Noelle (Emma Roberts).

12. Cartas para Julieta



Sophie (Amanda Seyfried) é uma aspirante a escritora que viaja para a Itália ao lado do noivo Victor (Gael García Bernal), que sonha em ter seu próprio restaurante. Em Verona, onde se passou a história de Romeu e Julieta, local perfeito para uma lua de mel antecipada, Sophie acaba percebendo que seu noivo está mais interessado nos fornecedores para seu restaurante do que nela. Na cidade descobre uma antiga carta de amor e junta-se a um grupo de voluntárias que responde estas missivas amorosas. Para sua surpresa, a remetente Claire Smith (Vanessa Redgrave) ouve o conselho dado na resposta e vai procurar Lorenzo, por quem se apaixonou na juventude. Mas existem muitos italianos com o mesmo nome e Sophie demonstra interesse em ajudá-la na tarefa, desagradando o neto Charlie (Christopher Egan), que já tinha reprovado essa louca aventura da avó viúva.

13. A 5ª onda



 A Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas. Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos. Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz) precisa proteger seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.


14. Como ser solteira

       

Alice (Dakota Johnson) acabou de sair de um relacionamento e não sabe muito bem como agir sem outra metade. Para sua sorte, ela tem uma animada amiga (Rebel Wilson) especialista na vida noturna de Nova York, que passa a ensiná-la como ser solteira.

15. Como perder um homem em 10 dias

    

Ben Barry (Matthew McConaughey) é um publicitário que faz uma grande aposta com seu chefe: caso faça com que uma mulher se apaixone por ele em 10 dias ele será o responsável por uma concorrida campanha de diamantes que pertence à empresa. A vítima escolhida por Ben é Andie Anderson (Kate Hudson), uma jornalista feminista que está desenvolvendo uma matéria sobre como perder um homem em 10 dias e está decidida a infernizar a vida de qualquer homem que se aproximar dela. Ambos se conhecem em um bar, sendo que escolhem um ao outro como alvo de seus planos. 

Sinopses: Adoro Cinema

13 maio 2016

Precisamos falar sobre nossas crianças

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Esse post não era pra ficar tão grande mas eu deixei que tudo que eu estou pensando agora fosse levado até você que está aí lendo isso e provavelmente com preguiça de ler esse texto enorme. Mas eu peço do fundo do meu coração que você tire 5 minutinhos para ler e refletir isso aqui que eu falo nesse post para que assim como eu, a ficha possa finalmente cair.




    É complicado falar do assunto que vou falar agora. Eu sei que o propósito de se ter um blog e até de ler um é distração e assuntos de seu interesse e isso é moda, decoração, música, filmes e livros. Mas eu não posso deixar de usar meu espaço público (minúsculo porém não desprezível) para falar de assuntos importantes que todas vocês que estão lendo isso agora, precisam relembrar e se conscientizar. Esse post era pra ser uma review de um livro que eu li essa semana mas decidi que não, eu não quero fazer uma review de um livro que me chocou tanto ao ponto de me fazer chorar. Chorar de emoção? Infelizmente não. O livro que estou falando é "Trabalho infantil, o difícil sonho de ser criança." de Cristina Porto, Iolanda Huzak e Jô Azevedo e só esse título me chamou a atenção suficiente para ler o mais rápido possível. Minha amiga pegou esse livro na biblioteca da escola e me disse que era muito bom para redação e construir a argumentação e eu vi a capa e achei legal a proposta do trabalho infantil e no outro dia fui pegar outro livro desse na biblioteca e só sabe quem me viu lendo esse livro no meio de uma aula qualquer desse dia pode te provar tudo isso que direi aqui. A cada página que eu lia, um grande aperto no meu peito me deixava inquieta e eu queria parar de ler o livro e não conseguia. As imagens não podiam ser menos fortes. Crianças trabalhando em lixões, canavieiros, lavouras, seringueira, colheitas, fábricas, com afazeres domésticos, em carvoarias, nas ruas e até com prostituição. O livro conta em narrativas chocantes, a visão de uma adolescente sobre a "descoberta" de um mundo que a mídia nos esconde e nos faz desligarmos nossas mentes para um nível extremo de pobreza que acontece até na nossa própria cidade. Quem nunca parou em um semáforo de uma avenida super movimentada e viu crianças e adolescentes andando descalços pelo asfalto quente e vendendo água? Ou uma família sentada no chão de uma esquina enquanto pedia esmola para quem sabe ter um pão como refeição do dia. Desde que eu comecei a ler esse livro, eu fiquei que nem a protagonista se refere a si mesma: com vergonha de mim. Vergonha de ser tão egoísta a ponto de pensar em terminar a escola e estudar que nem uma condenada para entrar em uma universidade pública renomada e ter um emprego bom e fixo com um bom salário, comprar um apertamento em Nova York e ser feliz. Eu sinto vergonha de mim mesma. 


              

O livro conta a história de Madalena, uma adolescente que vive normalmente em harmonia com todos. Estuda em uma escola particular e tem as mesmas preocupações que nós até o dia em que ela foi assistir uma exposição de fotografia de um amigo e não pôde sair do estabelecimento por causa da chuva. Nisso ela ficou rondando até achar outra exposição lá dentro que se tratava do trabalho infantil, a cada foto que ela via, a realidade batia de frente com ela. Fotos marcantes e o olhar das crianças era o mais triste de você pode imaginar. Ela ficou dias com esse assunto entalado na cabeça e depois de várias pesquisas sobre o assunto ela percebeu que isso não eram centenas de crianças e sim milhares em todo o mundo. Enquanto ela nunca teve de trabalhar na vida e nunca passou por nenhum tipo de dificuldade, existem crianças lá fora que além de morarem na rua ou em condições precárias, não tem escola e não têm nem 1% que ela teve em um ano de sua vida. Ela ficou tão intrigada a ponto de escrever sobre isso como eu estou fazendo agora e pedir para o irmão tirar várias xérox pra ela. Madalena espalhou esses papéis por toda a escola no dia seguinte e no mesmo dia, a escola virou um caos. Todo mundo pareceu ter acordado de seu mundinho em que só se vê posições sociais acima da sua. A escola inteira se comoveu e formaram um grupo que ficaria responsável por elaborar um jornalzinho que seria distribuído para toda escola e comunidade com fotos e informações sobre os diferentes tipos de trabalho infantil.



Uma das partes mais marcantes do livro me fez chorar e até agora penso nesse parágrafo. Eu não consigo parar de pensar que eu não tenho poder nesse momento de fazer nada para mudar a situação de milhares de pessoas e crianças que não tem o direito de sonhar. Elas vivem a espera de dias melhores que parecem nunca chegar e ficam conscientes de que sinceramente, é complicado ter uma reviravolta da situação. Na cena, Madalena pede a uma amiga da sua mãe a levar ao lixão que ela é voluntária e sua família começa a agir indiferente. A julgar a filha por querer se envolver com pessoas carentes em um ambiente tão desfavorável que é o lixão. Um típico discurso de classe alta. Madalena vai mesmo assim e fica chocada com o que a esperava.

"Vi várias pessoas - homens e mulheres , adultos, jovens e crianças - esperando ansiosamente a chegada do caminhão que traria o lixo recolhido das nossas casas. Quando ele chegou, essas mesmas pessoas, mais ansiosas ainda, tentavam se aproximar o máximo possível para ver se alguma coisa de valor ia ser despejada pelo caminhão. Sem nenhuma proteção, começaram, então, a remexer o lixo que vinha de não sei quantos banheiros, não sei quantas cozinhas, não só de casas, como de restaurantes, fábricas, lojas, farmácias, lanchonetes... Conversando com um senhor, fiquei sabendo que eles separavam o material que poderia ser aproveitado, para vender depois. Não sei por quanto, pois não tive a coragem de perguntar. Disse também que de vez em quando achavam alguma comida que ainda dava pra comer. E que as crianças encontravam, muitas vezes, algum brinquedo em bom estado. Que bom estado era esse, tanto da comida quanto do brinquedo, não me pergunte. É melhor nem pensar. Ao lado das pessoas, cachorros e cavalos fuçavam, buscando o que comer. Acho que nem preciso descrever o cheiro que esse lixo exalava. Mesmo porque não ia conseguir, pois ao odor dos detritos se misturava, dentro de mim, o cheiro ainda mais podre da revolta, da indignação e da vergonha. Como era possível que alguns seres humanos tivessem que sobreviver à custa de lixo? E aquelas pessoas, com a ponta de amor-próprio que ainda lhes restava, diziam que era melhor sobreviver do lixo do que roubar e assaltar."
                  

Essa parte me consumiu. Eu nunca tinha parado pra pensar no lixo que eu mesma jogo fora. Comidas até boas aparentemente, porém estragadas ou fora de validade, hoje, podem ser a refeição de uma família que ganha cerca de R$ 10 por dia. Imagina o quanto de doenças que eles não tem por ano? E isso é uma realidade apenas do lixão. Tem inúmeros outros lugares em que abusos são cometidos a cada hora com crianças. Li o relato de um menino de 11 anos que dizia mais ou menos que ele as vezes tinha tempo de ir à escola, e quando dava ele ia, porém muito cansado de ter passado o dia inteiro cortando cana. E uma família de 4 pessoas em que 2 são crianças e também trabalham a renda anual é de R$ 300. Menos da metade de um salário mínimo por ANO! As crianças já nascem em um ambiente horrível e são preparadas nos primeiros anos de idade a trabalhar ajudando a mãe para depois se tornarem mais independentes e capazes de fazer um trabalho de um adulto. Com 9 anos de idade eles já são considerados adultos pela qualidade do trabalho que fazem! Eu fiquei calada desde que acabei o livro e calada total. Eu não consigo pensar em algo e não lembrar das crianças que nesse momento enquanto eu escrevo esse post, não tem jantar e morrem de fome nas ruas, nas favelas, nos casebres. Enquanto eu estou com um notebook aberto, vários livros da escola ao meu lado e com o ar condicionado ligado por causa do calor. Existe milhares de meninas da mesma idade que eu que  sonham em pelo menos ir para a escola ou em até parar de viver da prostituição, de trabalhos forçados e até de se verem livres de assédio sexual que recebem tão cedo. 



Eu sempre me interessei por assuntos e causas sociais mas eu sempre guardei isso pra mim. Houve um período que eu parei de assistir matérias do Fantástico que retratavam a pobreza e a forma de vida dessas pessoas que não tem uma vida digna - que é dita e assegurada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas vemos que não funciona bem assim. A realidade dessas pessoas está aí para todos verem e a maioria não liga e prefere se importar com assuntos do tipo ganhar mais dinheiro. Em uma democracia em que vemos todos os dias posts online sobre direitos, política, aumento do dólar, feminismo, índios, melhora da educação etc.. EU raramente vejo alguém se manifestar a favor daqueles e daquelas que não tem ninguém que lhes assegure comida, moradia e empregos descentes. Não tem alguém que faça realmente algo que tire os milhões de brasileiros menores de idade que estão abdicando de sua própria educação para ajudar no sustento da família. Sustento esse que já citei ser praticamente o que pagamos em um almoço. Acho que um almoço é o dobro ou triplo do que eles recebem por dia.

"- Acho muito engraçado vocês, que devem ter tido todas as facilidades do mundo, desde que nasceram - dinheiro, roupas, estudos, passeios, viagens, amor, família, um lar -, começarem, assim, de repente, a se achar muito conscientes e muito chocados pelos problemas dos mais necessitados, dos injustiçados, dos excluídos... É muito fácil falar! Queria ver se vocês tivessem tido a infância que eu tive e a vida que ainda tenho, apesar de estar nem melhor, agora.... As coisas que já passei - fome, frio, raiva, ódio, humilhação, revolta -, tudo isso marca muito, acho mesmo que para sempre."

"- Não, acho que não vale a pena falar sobre uma infância na rua, no meio de delinquentes, drogas e crime...Não vale a pena falar de um pai que abandonou a família, de uma mãe que não deu conta de criar sozinha os sete filhos e acabou deixando um com uma família e outro com outra..Foi por isso que acabei na rua. Pelo menos tinha mais liberdade. [...] Consegui sair porque encontrei um casal que resolveu acreditar em mim e me deu uma força. No começo acho que foi pela culpa que sentiram quando me atropelaram, numa noite de muito frio. [...] Você pensa que é fácil ter calma, Madalena? Minha vida mudou, sim, e pra melhor, claro, mas ainda não é um mar de rosas, não! Ainda me sinto excluído, sim, discriminado, olhado com desconfiança, muitas vezes... Parece que ficou marcado na minha cara: menino de rua, trombadinha, pivete. Quando olho pra uma garota as vezes assim, como um homem olha pra uma mulher, querendo alguma coisa além de amizade, não pense que levo muita chance se a garota é assim, como você, cara de vem alimentada, bem vestida, bem amada...[...] É, você, sim, que só tem olhos pro João Francisco desde que chegou aqui. Nem chegou a notar que eu existia. Está, sim, fazendo esse seu trabalho muito bonito, achando que está ajudando essas criança, mas conviver, mesmo, que é bom, olhar pra elas como um ser humano igualzinho a você, não sei não..."

Essa parte é sim um tapa na cara de todos nós. No final, o menino se desculpa de Madalena e pede que ela continue a mostrar para as pessoas que eles, desolados, precisam de alguém que os salve. E que você que está lendo esse post agora e está tão chocada quanto eu, não estamos com o coração apertado de pena desses pobres infelizes e sim de raiva. De indignação e EU tenho uma vontade enorme de gritar e falar que ninguém merece ser tratado dessa maneira e que todas aquelas crianças que estão sem ir para escola por causa de trabalho devem realizar um sonho, isso mesmo, um sonho de ir a escola, aprender a ler e ter um trabalho em que não seja explorada de todos os modos. Eu não ficarei calada. Esse livro me fez ver coisas que eu se quer vejo ou ouço falar. Geralmente falamos "ah, as crianças carentes" ou "ah, tadinha daquela criança, nem tem casa nem muito menos comida!" e sim, estamos percebendo a situação, se comovemos e depois nos esquecemos e outra coisa toma a nossa atenção. As imagens, os dados e os índices nos provam que essa realidade está aqui por décadas e até hoje, me dói saber que eu nunca fiz nada que pudesse ajudar aquelas crianças e aquelas comunidades.. Doei brinquedos, sim. Mas eu nunca parei pra pensar na real alegria que uma criança pode sentir em ganhar uma boneca. Um carrinho sem rodas.

   

Hoje, eu vou dormir pensando nessas crianças e de hoje em diante, eu não só vou repensar todos os meus atos egoístas como vou fazer o possível começando de mim mesma para que EU possa ajudar a melhorar o futuro de alguém. Eu não consigo ficar calada e sei que no meu futuro, tem um espaço reservado para essas crianças e adolescentes que tem um brilho no olhar de esperança. E é esse tipo de esperança que eu quero ser capaz de alimentar e fazer valer a pena na minha vida.  

DIY: strappy bra por menos de R$ 2

Um comentário:


Não sei vocês mas eu sempre quis usar o famoso strappy bra com um cropped por aí. Eu pesquisei muito e a cada modelo eu ficava ainda mais apaixonada e daí eu percebi que eu precisava de um imediatamente. Procurei em lojas de lingerie e adivinha? Isso mesmo, não tinha. Na internet achei uns de mais de R$ 100 e eu achei isso um absurdo porque é um sutiã normal e sem ser de marca famosa e só tem de diferente umas tirinhas. Foi aí que me veio a ideia e eu procurei no youtube um DIY de strappy bra e tinham váaaaarios. Foi então que eu fui a procura do único material que eu precisava pra fazer o strappy bra e o resultado me impressionou. Fica igualzinho e sim, por mais que seja visivelmente fácil é um pouco complicado de costurar à mão por ser um elástico grosso mas vale super a pena e mãos à obra! 

Você vai precisar de:
  • 1 tesoura
  • Linha preta (ou da cor do seu sutiã) 
  • Agulha
  • Fita elástica 


Eu comprei 1 metro de fita elástica da mais grossinha porque não sabia ainda o modelo que eu iria fazer no meu sutiã e é bem baratinha, a minha foi cerca de R$1,70. Mas vale a pena procurar no Google o modelo que você prefere sendo as fitinhas na frente ou atrás!




Depois só é medir a distância da fita até a alça do sutiã e cortar um pouco menor já que é elástico e esticando fica bem mais bonito. Tirando a parte de costurar em um elástico grosso que é a alça, é muuito simples e eu gostei tanto que to usando sempre com regatas!

11 maio 2016

Próxima Primavera de cara nova!

2 comentários:



         Aêeee! Finalmente o blog está bem mudado e permanentemente dessa vez. Eu que fiz o design do blog com minhas noções de 6 anos de blogger de tanto mexer com html (quero um curso de web design pra já) e também temos um novo url pra deixar tudo mais fácil e simples. Eu decidi que sim: eu irei me esforçar dentro do possível para postar sempre aqui no blog e trazer mais coisas diferentes porque é isso que gostamos de ler nessa blogosfera, não é mesmo? Esse post é mais informativo mesmo e pra falar que vai ter post dia sim dia não por aqui. Vários DIY que já estão preparados e reviews de livros e filmes também!

Próxima Primavera também nas redes sociais:

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Facebook: Próxima Primavera
Instagram: @proximaprimavera
Snapchat: clarahassis



09 maio 2016

#PLAYLIST: Favoritas de Abril

7 comentários:

       O post dos favoritos de Abril demorou mas finalmente está aqui! Em Abril eu estava totalmente no clima do Coachella então ouvi muito Calvin Harris, Disclosure e Ellie Goulding, porém claro que também aquelas músicas da bad que não podem faltar aqui, não é?

08 maio 2016

Conhecendo o ídolo senpai Tiago Iorc

2 comentários:



Pois é. Díficil começar talvez um dos posts mais especiais daqui do blog. Desde o início sempre planejei escrever como foi detalhadamente meu encontro com o Tiago para que vocês soubessem como é conhecer um ídolo que sempre serviu de inspiração pra vocês. Bem, se nunca passaram por essa experiência como eu nunca havia passado, continue lendo o post! Todas vocês devem conhecer o Tiago Iorc não é mesmo? Esse mesmo de Coisa Linda e Amei te ver. Esse homem de sorriso perfeito, cabelo perfeito, voz perfeita e sim um caráter perfeito. Pelas entrevistas pode-se notar que o Tiago é sim gente fina e aquele tipo de pessoa que você não sai de perto. Eu conheci o Tiago no começo de 2015, em um consultório médico. É, isso ficou meio estranho mas foi literalmente isso.

06 maio 2016

5 DIY super fáceis para o dia das mães

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          O dia das mães já é Domingo e você assim como eu ainda não comprou o presente da sua mãe? Ah, você não está sozinha! Pensando nisso eu mesma pensei em procurar uns do it yourself no Youtube bem simples pra tentar alguma coisa aqui e achei várias ideias gringas bem legais que dá pra fazer usando pouco! Então vamos lá! Os vídeos são em inglês mas vou deixar bem explicadinho aqui embaixo.

04 maio 2016

Melhores (ou nem tanto) looks do MET Gala 2016

16 comentários:

O MET Gala 2016 aconteceu na madrugada do último Sábado pro Domingo, 2/3 de Maio e chamou a atenção de toda a internet. Como em todos os outros eventos com famosos de todas as áreas, estavam todos falando do MET nas redes sociais e na espera pra ver os vestidos das famosas. O tema desse ano foi Tecnologia então só aumentou a minha ansiedade de ver os vestidos. A cada foto que saia era uma alegria e dentre elas vemos vestidos lindos de morrer e outros... nem tanto assim. Nesse post vou falar minhas opiniões sobre os vestidos então, uma opinião de quem não sabe nada sobre moda.

01 maio 2016

12 músicas que adoro - #12meses12coisas

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Hoje é dia um então significa mais um post do projeto #12meses12coisas do blog Lemao Doce! O tema da vez é "12 músicas que adoro" e eu confesso que foi bem difícil escolher as que eu mais gosto mas fui na fé. Dentre as doze, a maioria é calminha porque amo e tem até umas do rock super nada a ver comigo mas não são tipo pesadão sabe? O rock meio clássico e eu amo muitão todas essas músicas.